Há de nascer um paradigma ou pedir licença para Talião

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 Na Lei de Talião, que não possuía nenhum artifício, eis que clara e compreensível até para os leigos – dente por dente, olho por olho –, e o sujeito arcava com as consequências, na plenitude de seus atos. Disso toda a humanidade possui domínio, há muito tempo. Por outro lado, quando o Sr. Pedro Álvares Cabral encostou inoportunamente, suas naus junto aos ancoradouros naturais brasileiros, se fascinou diante da beleza das nativas e da sua ingenuidade, evitando-se em usar o termo pureza.

Contam alguns narradores da visita cabralina, o posterior envio de outras expedições portuguesas a mando do Rei ou por sua conivência, enviando ao Brasil seus condenados, realizando uma faxina moral histórica na sede da Coroa, despejando a corrupção no Brasil. Quanta maldade nessas expressões – dizer que no Brasil teríamos um dia, um corrupto ou corruptor que fosse. Essa máxima é inaceitável! Em nossa Pátria com ínfimos recursos naturais, sem águas doces, com solo infértil – mesmo fertilizado -, sem clima apropriado, totalmente desertificado, sem precipitações pluviométricas, e aí vai. Corrupto ou corruptor, jamais vingaria.

Os relatos da chegada acidental ao Brasil e dos atos subseqüentes nos entristecem, diante da outra verdade que aqui se constata. Exceto se algum leitor ou ouvinte dos outros meios de comunicação teve notícias de algum delito nas últimas quatro horas. Compreendemos, o leitor lembrou de inúmeras infringências legais. Nesse caso, a legislação está equivocada. O brasileiro é puritano. Devolve o troco erroneamente recebido. Respeita o patrimônio alheio. Jamais se locupleta com aquilo que não lhe pertence. Dentro do imenso rol de motivos a destacar.

A Lei de Talião se constitui num insulto ao caso brasileiro! Avilta a integridade! Onde já se viu decepar a orelha daquele que impingiu ao semelhante em – ser troncho? Impor-se-ia uma ofensa/afronta! Porém, impor a outrem determinado castigo, entendem válido. Fique ele com a sua “tronchês”. E quando se trata de trouxa? Paramos por aí com as ilustrações, o espaço seria exiguíssimo. Nas naus cabralinas e nas posteriores que aqui aportaram, ao que tudo indica, vieram as bactérias-mãe, com os terríveis germes que tudo resistem e nada, nem o tempo será capaz de extingui-los.

O mais preocupante na questão são os julgamentos populares, quanto aos infratores, se partidários, praticaram as mesmas espertezas dos adversários em outros tempos, se contrários, merecem a excomungação! Ah, a lei de Talião! Quantas línguas seriam jogadas às feras ou às fornalhas? Nos últimos tempos, é preciso ter muita sensibilidade e espírito “desportivo” para conviver em sociedade. Remontar em décadas, seria trazer ao prelo, um continente de argumentos xiitas, ora impublicáveis, sob pena de a censura abreviar a existência.

Na década de 80, corria a boca pequena – basta uma noite sem furto dos cofres públicos no Brasil –, por resultado, obter-se-á o valor suficiente ao pagamento de toda dívida externa. Hoje seria diferente? As notícias de ora, a boca pequena, constrangem, inclusive os pensamentos, qual ficarão, os cidadãos? A ortodoxia dos adeptos das correntes da impunibilidade, aos seus asseclas, faz a chuva inverter o seu ciclo natural.

Há que se elaborar um paradigma para a Lei de Talião ou simplesmente, aplicar esta, ato no qual, ter-se-ia, a ação resolutiva para a questão nacional. Por ora, continuamos colocando no altar os nossos deuses e jogando no fogo da inquisição, os deuses dos semelhantes. Vêm à mente um adágio popular de dantes – não jogue pedras em telhado alheio, quando o teu é de vidro. Deu no que deu! Havia dois caminhos, eticamente falando. A escolha coube ao da vez!