Há que haver esperança

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Outro Natal, quem sabe natal! Presságios de esperanças. Tempo de renovação, revalidação de votos! Desejos, felicitações. Um sem fim de abraços e contorcionismos. Sabemos, vem de tempos. Séculos e mais séculos. Ao Salvador se louva antes da esquina, e no pós-esquina, as blasfêmias ecoam longe, mui longe. Nada melhor do que saudar a liberdade de expressão e o direito de louvar e bendizer ao bel prazer.

Caminharemos neste texto em apenas três situações:

A uma – Olhares pesados, postados nas vitrines e vozes mudas, sem tom nem “cor”, vestes sem tonalidade definida, desesperanças, almas machucadas, sem horizontes, sem manhãs, sem auroras da cheirosa matiz campesina, sem sangas, sem rios de água cristalina com a rica fauna, sem bosques, sem matas, nem mirantes para projetar seus calendários, nem luar de sonhos e sonhares, sem as fragrâncias d’outrora, vagam os nativos, errantes, ao próprio descaminho. Belo futuro para os ycaraiis, um atlântico sem lunares, dantes, olhares enigmáticos. Ó Deus Sol, devolva-lhes uma matiz.

A duas – Na outra extremidade, num contraste humilhante, se vêem os sorrisos largos, em rostos agrandados de felicidade, rejuvenecidas frontes, por brilhos sobrepostos, brilhares, vestes coloridas em tons primaveris, frondosos palácios, abundância de alimentos, extravasar, abraços robustos, felicitações, cantares, magia, enaltecimentos, carrões fenomenais, aviões de deitar inveja aos soberanos, navios ultra, ultramodernos, contemporâneos ao próximo século. Navios com cenários híbridos, para os cruzares de mares – os cruzeiros.

A três – Ruelas, becos, subidas estreitas e sinuosas, esgoto a céu aberto em direção aos córregos onde havia o alimento dos outros, lixões, urubus, olhares de revolta, pés descalços, “quanta esperança”, escola, lar, alimentação balanceada, tiro ao alvo, tiroteio, boca de tudo, tudo na boca, estratégia, retirada, bloqueio, intersecção, pedágio, leis próprias, pena de morte, sem pena da morte, casebres de restos, palácios de papelão, vigílias, invasões, fugas! Haverá um amanhã por detrás do morro? Somente, o Sol da magia!!

Três verdades postas, ainda que se possa subdividir a realidade em outras tantas, mas verdades incontestes. Sublimidade? Jamais! É impossível haver a sublimidade, num contexto sem fraternidade (atos isolados são incapazes de reconstruir), somente um raio que o parta, nessa disparidade de situações, oportunidades e incoerências. Seres da mesma espécime, argamassa da mesma argila, gerados por ora, do mesmo líquido, todavia, sobrepostos em camadas com vestes desiguais, ainda que se almeje, a paz ela é inviável e improvável, nestas condições. O choro de hoje e de amanhã é inevitável! De nada adianta outro Cristo, sem que sejamos todos – um único Cristo!

Na linha do tempo há um paralelo, nele se inseriu uma figura modelar para a humanidade, eis que os demais desse reino desconhecem essa máxima e jamais se importarão com os seus dessemelhantes, senão, quando os sentidos da fome der o alerta para a necessidade do saciar esse sentido. Na historicidade há um longo período pré-paralelo, feito relegado, por muitos envolvidos em determinados segmentos da sociedade, deixando transparecer aquilo que poderíamos chamar – tempo do “pecado”!

No viés do Planeta, as espécies devem suprir suas necessidades, ele – tudo forneceu, cada qual deve subsistir, a seu modo, no seu contexto. Se justo ou injusto, ele, Planeta, não intervirá! Existe um sem fim de interpretações sobre enviados de outros campos, alguns chamados de profetas sumularam ações. Enquanto isso, Deuses ou deuses, segundo consta, haveriam muitos e desiguais entre si, uns trabalhando pro bem, outros pro outro lado, assim, fica difícil de formar um conceito final.

Entretanto, diante dos conflitos cotidianos, desde o seio familiar, passando por todos os campos sociais, somente um exército de cristos fosse capaz de resolver a questão posta na Terra hoje. Embora seja importante manter a esperança de um mundo mais igualitário.