Lanceiros da Bola

0
140

Na amplitude da querência missioneira (Oriental do Uruguai), há um vácuo! Primeiro, os nativos se deleitaram no esplendor da natureza, entremeados de múltiplas espécimes animais, quer terrestres e aquáticos e de incontáveis exemplares vegetais. Contam em livros e lendas, da simbiose entre essas, qual a sinfonia de uma orquestra. Também no Peru, segundo relatos, os filhos incas passavam os dias entre os quadrúpedes, em harmoniosa convivência.

Segundo, quando os ventos sopraram Jesuíticos nestes cantões tidos por missioneiros, uma vertente nova passou a ser implantada à revelia nativa. Diante disso surgiram as primeiras insurgências, não sem razão, aos olhos dos antes senhores desses rincões. Claro estava que se tratava de uma incursão ao modus vivendi dos altivos autóctones, contraponteado por imposições e restrições de toda ordem, aliado a extirpação dos dogmas, crenças, conhecimentos e doutrinas inatas das matas.

Terceiro, como sói acontecer em fatos dessa natureza, parte do contingente se posta em alvoroço e inicia uma conspiração contra as vestes doutras tonalidades, causando, para as virtudes europeias, a trágica eliminação do triunvirato jesuítico e o consequente trucidar de centenas e mais centenas dos homens das selvas. Logo, surge a primeira resistência na defesa do solo que era sagrado aos olhos dos autóctones, na figura do grande líder denominado NHEÇU, que, segundo entendidos na língua guarani, significa REVERÊNCIA.

Depois, bem depois 128 (cento e vinte oito anos) anos, Sepé avança na defesa das terras, das gentes e dos ideais guarani, na luta pela manutenção do território missioneiro oriental, ao lado dos Jesuítas, mas também tomba e com ele toda a nação. Tombam também, oráculos, ofertórios e toda a estrutura moldada ao longo de dezenas de anos.

Após esse período, no Santo Ângelo (e missões) contemporâneo, as forças comunitárias soergueram a estratificação sócio/cultural, moldando um novo tempo, uma nova esperança, inclusive, no esporte. Este, de façanhas quase gigantescas, noutros tempos, agora, de certa forma adormecida.

Pois, chegou a hora de retomarmos o rumo das conquistas, o caminho das vitórias, a hora da verdade chegou! O momento apropriado de mostrarmos novamente a coragem e a resistência de Nheçu na defesa do solo missioneiro. O heroísmo de Sepé e de lança em riste, nos transformarmos em valiosos lanceiros da bola, na defesa querência missioneira, Sonhar, ousar e vencer!

Antes é preciso assenhorar-mo-nos das infusões e sentimentos nativos, aliá-lo as habilidades e ao conhecimento jesuítico, para reerguer os santuários, isso, no imaginário, depois, rejubilados naquele tempo, na sua vertente e raiz histórica do chão colorado, na saga do seu povo, na sua garra e bravura, no denodo, nas lutas e conquistas e, embebidos do espírito, impregnar nos atletas da SER Santo Ângelo, a astúcia dos velhos guerreiros e fazê-los – novos bravos, novos heróis, reconquistando nossa vaga na primeira divisão do futebol gaúcho. Avante lanceiros da bola!