Leo Petersen Fett – Um intrépido tropeiro

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Nasceu liberto qual o vento! LEO PETERSEN FETT viu as luzes terrenas no dia 9 de março do ano de 1923, num período conturbado do país, talvez isso influísse sobre sua invejável combatividade e a ferrenha disposição para o empreendedorismo ao longo da sua extensa jornada de quase 89 anos. Nesse período contornou circunstâncias, remou dificuldades, afastou percalços, “assobiou em sesteadas”, transmutou tempos e sóis, dos luares fez luzeiros e cortou os campos noturnos. Profetizou lavouras, lançou as sementes, viu a planta rasgar o ventre da terra, crescer o trigal: argamassa para o pão!

Romântico, sonhou sonhares. Viu frutificar esperanças, ombreou pesares, irradiou possibilidades, conquistou a confiança, afastou desditas, aproximou afins, convergiu dissonantes, associou intenções, fortaleceu convicções, empreendeu caminhadas, sedimentou trilhas, alastrou horizontes, irmanou idealistas, acalentou flagelados, desautorizou incrédulos, refrescou “afornalhados”, humanizou contendores, industrializou conhecimentos, comercializou os fatos, capitalizou dividendos, avençou inventos, frutificou nostalgias.

Embebeu tarefas, alavancou estruturas, louvou descobertas, cobrou providências, indispôs sentimentos, elevou pensamentos, ruborizou fornalhas, lapidou rudes, ilustrou indignações, avançou preocupações, desdenhou incrédulos, levantou precauções, ajustou parafusos, saltou sangas, transpôs barreiras quase intransponíveis, irradiou desejos, extravasou sorrisos, nomeou destruições, acautelou precauções, contrapôs cenários, madrugou patrimônios, singrou florestas, contou verdades, afrontou inverdades, limitou desesperançados, capturou desventuras, salientou ansiedades, seduziu amores, fertilizou ventres, brincou com seus vitrais! Amadrinhou movimentos, diagnosticou madrugas, atiçou fogos de chão – batendo bateu tições, se vergou para a ciência mas não vergou para as incertezas, laçou a saudade, sonorizou o erudito, “emponchou” a chuva, bebeu o sereno, floriu jardins, crepitou madrugadas, domou o tempo para dar longevidade à sua vida, gineteou às águas, dignificou a existência, rompeu fronteiras, fincou balizas, emalou virtudes, credibilizou a fé, montou em lombos.

Chorou rios assoreados, pranteou com a natureza, zelou a história, amou a vida na – cor da esperança! Arregimentou “soldados”, foi comandante, mateou resultados, convergiu forças, sustentou a palavra, induziu incipientes, riu para as desventuras, parodiou em palcos, afrontou estadistas, aplaudiu adversários, esticou o indicador apontando o Norte, ciceroneou viageiros, lecionou astúcias, firmou o mango, deu rédeas, laçou amarguras, ensinou espontaneidade, esteve de mãos dadas com a fraternidade, aceitou comandos, porém, foi queixo duro – não permitiu a própria doma!

Rezou canções e “cantou rezas”, ninou hijos, acarinhou aventuras, tostou maldades, apimentou conversas, pontuou, leu a sisuda, rabiscou a história, maroteou pros maulas, suou sangue, “elevou estradas”, sangrou a desgraça, “hipnotizou” a platéia, amamentou o futuro estaqueando o presente, mas não deixou o passado na escuridão. Contemplativo? Jamais! Se vez vanguardeiro e na vanguarda foi pioneiro. Mas ainda teve tempo de deixar tarefas para serem cumpridas e sonhos para sonhar no infinito. Foi patrono! Soube dizer de cada cantinho da cidade, o fato e o feitor. Lembre-se, nobre leito: essa é uma síntese da vida do extinto. Léo, já estamos com saudade.