Nós do tronco

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As plantas crescem, paulatinamente, a olhos vistos, quando se deita um olhar à elas. Nas florestas a gente encontra dificuldades de ver o desenvolvimento individual, exceto, quando há um interesse maior sobre uma, em especial. Há uma planta muito conhecida nos rincões rio-grandenses (já abordada neste espaço), espécie que destoa no cenário, por suas peculiaridades, o que mais instiga são as dimensões que ela atinge, diante das células que a compõem, aparentemente, frágeis, porém, resistentes. Supostamente, essa variedade, não teria nós!

Visto está que o gaúcho tem resposta para tudo, logo, também encontrou uma solução para o tipo de madeira e frutos do umbuzeiro: quando esta fora indagada pelo Criador, se igual a outras variedades, também pretendia ter frutos doces e madeira forte, teria respondido: – Nada, Senhor. – respondeu o Umbu. – Eu quero apenas folhas largas para as sesteadas dos gaúchos e uma madeira tão fraca que se quebre ao menor esforço. – A sombra, Eu compreendo – disse o Senhor. – Mas porque a madeira fraca? – Porque eu não quero que algum dia façam dos meus braços a cruz para o martírio de um justo. E Deus Nosso Senhor, que teve o filho crucificado, atendeu ao pedido do Umbu (do adagiário popular).
Ao falar na questão dos nós na madeira, requeremos vênia aos experts no assunto e convenhamos, existe muita gente que o domina, ainda assim arriscamos alguns dados colhidos com as madeiras e outras com especialistas da área. Ocorre, para cada galho (filho), há que ter sustentação junto ao tronco. A natureza ensina, o difícil para ela é transmitir esses ensinamentos aos homens. Logo, quando alguns tipos de plantas, tal o flamboyant, após as geadas, rebrotam galhos sobre galhos, e esses crescendo rápido, não raro, por sustentação insuficiente, quedam!

Aqueles que conhecem o velho fogão a lenha e se utilizam do fogo de chão, sabem da importância da qualidade da lenha, desta forma, dão importância a madeira com nós. Num comparativo com o corpo humano, poderíamos dizer que o nó se traduz na raiz de um dente, logo, está aí a razão de troncos grandes possuir galhos, por igual, grandes.

As sombras frondosas, disputadas uma a uma nos verões, principiam nos nós das árvores, e estas, sem os galhos, são iguais aos homens, desnudas. Os cuidados com as plantas possuem as mesmas conotações dispensadas aos homens e as suas atitudes. De gestos bem postos, poderemos colher resultados valiosos, irradiantes, lunares, enquanto isso, da desídia, os vitrais se turvarão e a janela, antes frondosa, requintada, requisitada, solene, imanente, fluídica e alvissareira, envolta em névoas, deitará saudosos sentimentos.

Os homens também são troncos e os filhos, os nós! Cada filho pode representar guarda fogo, qual seja, um nós dos bons, ou o outro! Na mesma seara se inserem entidades, agremiações, administrações públicas e por aí vai. Macular algo hoje, pode macular um momento futuro!