O campo continua sendo acolhedor

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Por essas coisas da vida, a gente se perde bombeando horizontes! Mas quão infinito é esse tal de horizonte! É um sem fim. Quanto mais a gente olha, maior ele fica. Por outro lado, também fica mais bonito. Aliás, olhando com sentimentos, até as pedras tomam belo luzimento. Quando nos despojamos dos olhares de preocupação fica a impressão de que nada está perdido (exceto, nossos governantes, mas esses estão perdidos de longa data e há um sem data para eles se encontrar, consigo mesmos). Há caminhos e razões tantas para nos levar ao campo, suficientes o bastante, para deixarmos os aborrecimentos na cidade e erguer a “cola” rumo à plasticidade rural.

O campo sempre foi um lugar onde as pessoas recepcionam com um coração enorme. E é nesse largo de onde se vê com maior propriedade, a vastidão agigantada. Nos beirais da natureza, o longe desaparece. Inexiste! Tudo é logo ali! Ao abandonar os muros das cidades rumo ao campestre, a gente começa a sentir no ar um cheirinho de saudade. Uma saudade gostosa, uma saudade revigorante. Velhas imagens. O passado, os retratos de antanho. Uma saudade forte, pujante, daquelas de mexer com os sentimentos. Essa saudade faz risos, rejuvenesce. É dessas saudades campesinas, aromatizadas, com o cheiro silvestre, onde renascem as esperanças de uma vida feliz.

As gentes do campo, de olhares límpidos, de mãos calejadas nas faces do labor. Das gentes do campo, vem o aperto de mão sem frouxidão. Nas gentes do campo, há um coração enorme e a simplicidade do sorriso agranda a imensidão. A rudeza do ofício lhe deixa encardidas as mãos, mas lhe enaltece em nobreza, pois, é do campo e do campesino que vem o alimento, sustento da nação. Nas lonjuras, sem proteção, esquecido, lá está ele, semblante altivo, olhar varonil, estampa dourada pelo sol. Por vezes, olhos em cristais, por sentir o abandono dos mandatários nacionais. Mas o campo é equestre!

Outro dia, chamados a prestar auxílio, rodara o “potrilho” de um amigo, seguimos cortando encruzilhadas, por estradas rurais, rumo ao longe, entre vegetação variada, por contrastes tantos, se estende a estrada, lá pro fundo do rincão, o sol em raios postados, a brilhar soberano, no elevado da coxilha, por contorno – quebra vento –, um eucaliptal, no entremeio, se ergue a casa grande, sem senzalas, tudo fraterno, sem distinção entre peão e patrão. A cuia rodava fraterna, no riso fidalgo, uma comunhão! Havia um rodeio, rodeio de gente, pra comemoração. A festa fazia duplo sentido, nora e neta em aniversário.

Na paisagem, um presente da natureza! E nela, quantos os rostos? Da elevada do relevo, a visão se expande, algo maravilhoso, fantástico. Matas, aves, criações, bichos, plantações e moradias. Um refeitório coletivo, galpões, mangueiras, máquinas, seguros, horta, pomares, entre outras tantas, muitos sonhares. Uma maravilha. Reencontrar-nos com o meio e as lides rurais, foi presente. Todavia, nada disso teria valor significativo, se as gentes do lugar, desconhecessem da fidalguia. Um panorama que vai se eternizar em nossa mente. E esse lugar e essa gente existem, falamos do clã Arlindo Martins, sua gente e seus convidados. Lá há o sabor das matas, o cheiro dos bichos e aromas do campo. Por caminhos cruzados chegamos lá!