O carnaval e suas contribuições com o resgate histórico

0
123

A origem do carnaval é de domínio público, enquanto as contribuições culturais do carnaval são de profundo alcance. Gostar ou não das festas momescas é algo pessoal e intransferível, porém, negar em tempos atuais, a sua validade possui outro condão. Basta se despir de qualquer preconceito, ligar o aparelho televisivo e fazer a leitura daquilo que as grandes escolas carnavalescas trazem ao bojo, na avenida, quando as raízes culturais tomam “formato”. Neste ano, mais uma vez, a história passeou nas avenidas carnavalescas.

Por outro lado, atribuir ao carnaval questões de conduta das gentes não faz mais o menor sentido. Até mesmo as pessoas vestidas pudoradamente podem agir despudoradas! Logo, corpos desnudos podem, perfeitamente, manter a conduta ilibada. O carnaval pode até servir de biombo, na prática cotidiana de atos de rapinagem, no seio de algumas esferas administrativas e outras, porém, lhe atribuir a culpa por deslizes comportamentais, falece de razões.

Os pesquisadores/historiadores, mais uma vez, deixaram riquíssimas contribuições para a história, e as escolas souberam transmitir muito bem esses conhecimentos, na avenida. As alegorias foram construídas com sabedoria facilitando o entendimento e, porque não, a aprendizagem. Sem falar na construção e riqueza cultural das letras, com belíssimas melodias. O carnaval está se transformando em verdadeiras aulas, para quem quer aprender, imaginamos!

A indústria do carnaval é altamente rentável, gera empregos e salários, ensina ofícios, traz alegria, une pessoas, constrói amizades, oferece alternativas, motiva multidões, induz ao conhecimento, gera expectativas, ensina, emotiva, enfim, entre tantas, deixa lições. As receitas no cenário turístico são gigantescas ao ponto do Nordeste brasileiro e parte do Sudeste do país, realizar os festejos de forma prolongada. E o Sul? Em especial, no Rio Grande do Sul, perdemos dividendos. Alguém poderia dizer que aqui realizamos a Semana Farroupilha, mas o Nordeste também possui suas festas regionais.

Enquanto no carnaval o país inteiro colhe os frutos deste, com os grandes desfiles, nós, arraigados aos sentimentos gaúchos, do que efetivamente nos orgulhamos, realizamos momentos culminantes de forma simplória, sem empolgação, sem vida, sem mobilidade na avenida. O vasto manancial histórico/cultural que nos rodeia já foi objeto de estudos por escolas de samba cariocas, em alguns feito, levando à avenida temas vencedores, portanto, rico por excelência! Precisamos, urgentemente, “aprender” com os carnavalescos e enriquecer nossos desfiles. O tempo urge em todos os sentidos.

Um desfile não se organiza na véspera, o desfile de 2014 já deveria estar sendo pesquisado, planejado e organizado, mas por enquanto, em algumas entidades, talvez, 2013, ainda esteja adormecido. Não bastam palavras fortes, nem vozeirões feito Gaspar das Silveira Martins, atitudes são necessárias. As entidades locais são ricas em patrimônio físico, dotadas de gentes, basta exercitar a mente e ensejar a construção de desfiles monumentais. Turistas buscam locais onde possam gastar seus recursos. Alguém está em busca deles?