O JM resistiu as intempéries

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Sonhar era preciso! Uma faísca. Um piscar, feito pirilampo. Outro, mais outro! Outros pirilampos! Uma revoada se enleva em direção ao pirilampo mestre. Uma comunhão. Soletram, blasfemam, saúdam, partilham, compartilham, desanimam. Recobram forças. Energia! Transcender os obstáculos naturais que uma empresa enfrenta para se estabelecer. Em que pese isso, no espaço somente existem aramados imaginários. Era preciso enfrentar os obstáculos, independente, da forma e intensidade.

Numa resolução de pirilampos, vê se pode! Pirilampos decidindo. E decidiram, decidiram dar luz à um rebelde. E este veio sob uma lista colorada qual a baeta dum poncho, nascia o Jornal das Missões, fadado à agonia. Os pirilampos saíram navegando pelo espaço, sorridentes e alvissareiros, festejando! Mal sabiam do traçado destino, jamais chegaria a ser menino. Sucumbiria!

Adjetivamos de pirilampos, aos pioneiros, numa simbologia, considerando o olhar futuro, o horizonte. Os fundadores do JM (forma pela qual é chamado o Jornal das Missões) superaram as dificuldades no andejar. Colher flores num jardim florido é algo maravilhoso, porém, plantar os talos da roseira, regá-los e cultivá-los, diuturnamente, requer persistência, paciência e zelo. Ainda que isso ocorrera em tempos pouco distantes, porém, sempre há dificuldades para superar e os pirilampos, souberam se desdobrar em coragem, garra, obstinação. Com habilidade e competência, subsistiram sem sucumbir.

Passo a passo, o JM conquistou o seu espaço na comunidade local e de certa forma, regional. Por ora, o então incerto menino, que virara moço, se tornara homem, ora está com a segurança de um veterano. Embora a área da comunicação social desse segmento tenha enfrentado a concorrência silenciosa da internet, ora já circundou o morro e novamente, retoma com força o seu espaço. Livros e jornais, jornais e livros são insuperáveis e nem o tempo os desgastará.

O Jornal das Missões partilhou os anseios da comunidade, registrou fatos, materializou imagens, colheu sugestões, redigiu memórias, foi voz de ouro dos sufocados, lançou esperanças, engoliu indigestões, mas sobreviveu para o orgulho da própria cidade escolhida para o nascimento. Hoje, caminha robusto, circula vistoso, passeia altivo nas mãos dos leitores.

Ainda franzino, com dois aninho apenas (em 1985), o JM teve a felicidade de ceder o seu nome, nos moldes dos grandes patrocinadores atuais, à uma agremiação futebolística local – o MONTREAL –, entidade essa, comandada então, por Luizinho Vargas, logo ali, em 1985, quando juntos, Montreal e JM, se sagraram campeões de futebol do município de Santo Ângelo. Essa foi uma das primeiras parcerias do Jornal. Hoje é fato e memória. Criar uma via jornalística alternativa, fora sonho de alguns, resta realidade de muitos, quem sabe, esperança para outros. Estender um abraço as gentes, do presente ao passado, na certeza do futuro, é muito pouco!

A equipe de futebol da foto retrata o Montreal campeão municipal em 1985.