O Pequeno Gigante

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O escritor e jornalista cearense Lira Neto retrata a biografia do nosso imortal Getúlio Dornelles Vargas com uma invejável e apurada sensibilidade humana, digna de registro, considerando a profunda análise com o que aborda a vida do Pequeno Polegar. Esse missioneirinho que, diante do seu tamanho, mereceria um peticinho para montar, porém, ele fora um gigante na caminhada que empreendeu durante o decurso da sua vida! Assistimos diversas participações de Lira Neto na TV durante a última semana e a sua conduta merece louvação, considerando as intrincadas questões regionais no continentino Brasil, onde a depreciação se faz lastro e o Sul sempre é discriminado.

Pois Lira Neto comentou Getúlio (ainda não lemos a sua obra) igual a um florista apreciando as flores. Algo impressionante! Aliás, a atitude dele deveria ser o comportamento habitual de todos. Lira aborda com um preciosismo o comportamento de Gegê, em cada uma das etapas do grande gestor do País. Ele traça um perfil exemplar quanto à sua conduta diante dos fatos, justificando cada passo, cada leitura, cada carta, cada palavra, cada gesto, cada olhar! Aliás, falando em olhar, Alzira, filha de Getúlio, no livro em que relata passagens da sua vida, retrata bem a questão do olhar, com notoriedade, “compreendia-o” em todos os olhares.

Lira difere de outros historiadores que se apropriam do bairrismo e se deitam em elevar impropérios e inverdades. O País ainda hoje está estratificado sobre as pilastras estabelecidas naquele período, basta lançar os olhos sobre os trilhos do tempo. A matriz industrial do Brasil incrustada no estado de São Paulo. A Petrobrás, maior empresa nacional! Sobre a qual vai um pitaco, certamente, de todos conhecido, quando Getúlio entregou ao seu ministro Tancredo Neves a redação para a criação da empresa; Tancredo, ao lê-la, restou incrédulo. Relê o documento a ser enviado ao Congresso Nacional, desencorajado, se oferece ao presidente e se apequena ainda mais, Vargas, antevendo, questiona-o. Tancredinho, manifesta, presidente: Mas o senhor está apresentando um esboço contrário ao que prega! Vargas, deita um riso maroto e responde: queres que a oposição nos trucide. Deixa que eles apresentam os aditivos da nacionalização do petróleo, é tudo o que queremos! Deu outra? É evidente que não! A oposição se alvorotou e pregou a nacionalização do petróleo, tudo ao alinho do presidente. Argumentos, astutamente escondidos nas estrelinhas do projeto de criação.

A agropecuária perdeu a importância? Jamais! Logo, a matriz está mantida. Petróleo, industrialização e produção de alimentos, serviços, vias de transporte de todas as esferas, saúde pública e previdência, conhecimento (educação) da a mais singela à pesquisa. Contudo, havia pontos sociais exigindo providências desde as leis, entre elas, as relações de trabalho. Nasce aí, a CLT. Por outro lado, a lei eleitoral e o voto! Regulamenta-se essa questão também! E os direitos da mulher e o voto secreto? Sanciona-se o Decreto 21076, de 24 de fevereiro de 1932!

Gegê criou o Banco do Estado do Rio Grande do Sul, apoiou a criação da Varig e essa se tornou uma referência mundial na aviação (quem liquidou com a Varig? O leitor lembra quando a notícia foi veiculada na TV? Lembram que um determinado cidadão ou “cidadão” e seu acecla vibraram intensamente, aliás, estranhamente, alguém filmava aquele momento e isso vai ficar para a história, hein!).

Por fim, também resta “esclarecida” a morte do major da Aeronáutica: a arma de Carlos Lacerda não é encontrada, para fins de perícia, e do pé quebrado dele, nunca houve certeza, porque até o prontuário médico hospitalar sumiu.