O Retrato

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A parede, soberana, ostenta um retrato. Ele, o retrato, traz um olhar intrigante, parece vivo e caminhante, feito um vigilante que acompanha todos os passantes e visitantes do casarão, escancaradamente, os encara! Um vigia! Os seus olhos provem de longe, do apocalíptico! Contudo, vivos, qual de um autêntico D’Artagnan, pronto a desembainhar a espada na defesa de um ideal.
Pelas treliças do tempo, o olhar vistoria e o imaginário vai formando o cenário, pelo qual passeia com naturalidade, aqui, acolá, mais adiante, imagens peculiares, pedras, árvores, córregos, despenhadeiros, quedas d’água, pássaros e bichos das matas, cavernas, cavalos aos relinchos. Atenta para familiaridade, daí conclui estar em seu habitat. Seu “habitat”, pensa!

Naquele casarão, há uma mística que induz… O retrato estrategicamente postado diante da montanha ao longe, tão distante ao ponto de ficar invisível quando das nuvens singelas se abrir em asas e navegar sobre os despenhadeiros, quando não, no brotar da serração, provinda do fundo dos grotões. O retrato avista o mirante “posto” junto a uma das sacadas, por paradoxal, um mirante próximo de uma das sacadas.

Sobre um elevado, se vê uma pedra gigantesca, formando um triângulo com o mirante e a montanha. O intrigante está na colocação do retrato, dentro do casarão, numa posição estratégica, permitindo ver os três pontos, talvez,interligados, mas subjugados ao olhar atento do retrato. Há um mistério, sem sombra de dúvidas! Desvendar-lhe…!

O casarão com traços mais misteriosos ainda, contempla uma estrutura central na forma impensada na engenharia humana. Ainda que traga alguns traços dos templos faraônicos, a conjuntura contrasta! A cobertura abriga adornos belíssimos e recebe todos os elementos necessários à vida. Estranha-se a limpeza existente na superfície é diferente do observado na arquitetura atual. Sobre a nave central há uma estrutura capaz de suportar naves de porte leve, porém, a forma é estranha aos meios conhecidos dos humanos.

No centro formado pela montanha, mirante e a pedra do elevado, o “retrato” pode avistar os três elos e ainda, vigiar a estrutura do aero-ancoradouro, sobre o casarão. Algo em forma de espelho triangular reflete imagens simultâneas ao retrato, dos pontos que estranhamente lhe cabe suposta vigília.  Melhor observando, esse “jogo” de informações está presente nos três pontos. O retrato emoldurado em prateados ornamentos, remonta as treliças dos tempos, mas o seu olhar se mantém contemporâneo – enigmático!