O sereno vem caindo

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No caso vertente vamos tratar do sereno nas inclinações atmosféricas, ainda que sentir a proximidade e o convívio de pessoas com essa conotação procedimental transpire paz e fraternidade, considerando o estágio emocional delas, construindo ao seu redor uma aura positiva, alegre, contagiante, um ambiente “divino,” repleto de emoções e na sua grandeza, transferem aos semelhantes, essa chancela. A presença delas ajuda e facilita o nosso viver.

Há inclusive pessoas certificadas no Registro Civil, levando-o por nome.

Quando o dia se faz luz trazendo a tonalidade do semblante, sazonalmente (mais sentido no outono/inverno), cá no sul, o sereno enfeita as madrugadas e manhãs, deslustrando o rei Sol, modificando a paisagem e influindo diretamente no próprio clima. As gentes de antanho, lecionadas na escola das manifestações climáticas, construíram adágios feito leituras: serração que baixa é sol racha; serração que levanta o sol espanta. Essas entre muitas, estão presenças no adagiário popular.

O sereno possui uma conotação suave, tranquila, macia, se antepõe aos olhos feito flocos transparentes, névoas andejas, mutantes, que delicadamente nos permitem ultrapassá-las, quando, ainda nos brindam com a docilidade e seus carinhos e de lambuja, afagam nossa face e deitam maciez sobre nossos cabelos. Essas plumas revoam aos tempos meninos!

Letristas, ao longo dos tempos, brindam os melodistas com obras sublimes, transformadas em canções românticas, quase eternas, ante a força mágica do telurismo, espiral da vertente, adelgaçadas no perfil emoldurante das imagens, as deusas que se pretende dar o formato de um violão. Justapostas, melodia e letra, tornam-se belíssimas canções, as quais passam de geração em geração.

Sereno é o orvalho gotejado na flor, o orvalho serenou a noite de amor. Quando os olhos dela serenaram fugou o amor e a dor, mas também reprimiu a paixão, antes irradiada nos candeeiros em brasa. Ah, fosse a noite uma brasa incandescente, o corpo uma fornalha, o coração uma bigorna, os lábios – válvulas de escape, o peito – molas de contenção, neles, o artífice moldaria a estatueta condensada com as gotas de orvalho.

Além da beleza natural oferecida pela serração, vem por contraponto, as dificuldades de trafegabilidade com as medidas preventivas necessárias, visando a segurança própria e alheia, porém a propriedade da paisagem a instigar o imaginário, compensa os cuidados despendidos.

Há de se ilustrar a essência do significado da palavra em tela, algo tão nobre, no sentido de robustecer a dádiva da natureza, e esse lubrificante para os olhos, feito um esplendor, ao se ofertar graciosamente, qual o pousar de aves exóticas, de tempos em tempos, quiçá, fosse uma oportunidade de nos reencontrar conosco mesmo, com os paradigmas da vida, rememorando os tempos vividos, as caminhadas percorridas, os percalços sofridos e os lauréis conquistados.

O sereno que amansa o meu viver é uma pétala colhida nas estações da caminhada, uma locomotiva que transcende aos tempos, talvez eras. Ainda assim se oferece por parceiro ideal nas caminhadas, de qualquer peregrino!