Olha o pó (pó)

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 Outro dia, o pó pelos ares estava em demasia. Na havia por onde respirar! Coisas da lida, do trabalho, alguns diriam: é a evolução chegando. Uma artéria urbana estava em processo de melhoria. Há que se compreender, que, para melhorar, por vezes, primeiro piora, depois, “sentado o pó” tudo melhora e os sorrisos tomam lugar das carrancas. Contudo, enquanto as coisas não se equacionam por completo, muitas pedradas são jogadas em diversas direções. Mas é do jogo.

Contudo, é possível do limão fazer limonada. Porém, pessoalmente, não contava com tantos limões num só limoeiro. O pó que vinha sem bônus, se tornava ônus, adentrava meu espaço sem pedir licença. “Sentava” ao bel prazer, ignorando meus reclamos. Enquanto eu visualizava, entristecia, silenciava… até que, num determinado momento, “bateram alguns sem terra” pretendendo fazer reforma agrário do pó que me visitada. Pensei, logo no meu pozinho tão ínfimo, diante de tanto latifúndio. Cavacos…

Para combater a calamidade poeirenta, a saída foi buscar solução na água. Mas veja nobre leitor, o representante da empresa que abre buracos, colocara canos na vala e que deixara uma lacuna no seu ofício, lascou a nota fiscal do precioso produto que retira do meio ambiente, o qual também é seu (leitor) e meu, por ser um bem público, mas é ela quem a industrializa e vende o produto aos próprios proprietários! Mas fazer o que? Reclamar pro “bispo”! Adágio do meu avô (que nem conheci).

Aí uma nuvem prenhe de água e água em abundância se rompeu nos ares, feito mulher parindo. Logo, deliciei-me com tanta fartura! Foi maravilha…! Liquidado o serviço, avistei um sujeito vindo ao meu encontro, com o semblante enferruscado, asseverou: deves pagar essa taxa de água dessa nota fiscal! De posse do talonário, verifiquei primeiro, é lógico, o valor a ser pago. Ainda estava escrito na língua mãe – R$ (reais). Indaguei a razão da mesma? Seco, mencionou: você usou a água! Mas era água da chuva. Essa água somente pode ser utilizada com o consentimento Odebrecht, disse! As nuvens são bens públicos, respondi. Doravante, lê-se: nuvens Odebrecht!

Prossegui a jornada imaginando que meu calvário chegara ao fim, ledo engano, estava de butuca o agente municipal e, tal e qual, se nada pretendesse, ele veio cobrar o IPTU. Calar, não! Indagar! Indagar o quê? O tal “I” vem de imposto, o “P” corresponde ao prédio (e quando o terreno é pelado), “T” traduz o território onde habito, e o “U” tem sentido civilizado (urbano). Estranho, não? Se o Lote é meu, a casa da Caixa, qual a razão de pagar impostos para o ente público?

Tomei as faixas BRs/RSs, o policial rodoviário acenou: acostamento. Examinados os documentos, os quais entreguei em suas mãos, quando a bem da legislação, somente deveria apresentar e não entregar, até por que eles me pertencem, educada e gentilmente falou: seu IPVA? O que há! Não está pago. Senhor, eu paguei na compra. Na compra a, gente paga o IPI. Outro imposto, Senhor guarda…! Outra multa para pagar! Segui adiante, entrei num tipo de brete, quis entender o significado, não fui capaz. Tentei passar sem pagar, roncaram sirenes, homens armados, veículos movimentados, prontos pro embate. Única saída: desembolsar! Entretanto, estávamos numa via pública, cuja construção originária provinha de verba pública.

Chegando à cidade estacionei o veículo e alguém indagou: vai pagar agora ou na saída? Moço, a rua é pública! Era. Palavras dele! O maula levou os últimos vinténs! Veja o leitor, o “pó que levanta em gabinetes ultrafechados, bem aclimatados”, decidindo a vida da população e destino dos recursos de cada um de nós. Até quando seremos bois de canga?!

Neste cenário, duas notícias quentíssimas: o Brasil, a fonte, produz dezenas de novos milionários/dia (qual a mágica?); a outra, a triste situação da adolescência no Brasil, segundo o órgão da ONU, que cuida dessa pasta.