Onde Andará

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No sertão! Na pampa! Na Amazônia! Na terra do fogo. Na caatinga. Esteja onde estiver, sempre estará linda e atraente. Gostosa! Esteja onde estiver, estará em sorrisos sem fim. Aliás, sorrir lhe é permanente, algo eterno. Plausível, a boa máxima do sorrir é multiplicadas vezes mais salutar do que ostentar um crocodilo na face, continua valendo. Aliás, o receituário médico adverte, se não puderes sorrir, esconda-se, assim, evitarás um contágio coletivo.

Outro dia um pelotão de caçadores seguiu no encalço da detentora do sorriso, rondaram em todos os arredondados, fizeram escavações, adentraram cavernas, cheiraram na boca de vulcões adormecidos, seguiram tatus nas tocas, esmiuçaram os túneis das reduções jesuíticas, se embrenharam nas matas, nos ocos dos umbus, vasculharam o interior de sucuris, examinaram a mochila da “…da”, mas nada! Onde andará?

Consultando o necrológio, contudo, nada! Seguindo a intuição, por ruas, vielas, ruelas, becos, praças, construções, vistoriando argamassas, mergulhando nos cursos d’água, os oceanos, até mesmo revisando imagens do satélite de possível fuga pelo buraco negro, porém, tudo infrutífero. Onde andará!

Em visita a professora das letras iniciais, sim, ela quase centenária se octagenária não fosse, confirmou as suas palavras de antanho e ainda descreveu-a em palavras garrafais, em performance de alteza! A existência dela é inquestionável. Firmou pé, cravou o calcanhar no rochedo e não abriu: ela existe! Sempre existiu e duvido que a alguém tenha conseguido extingui-la! Exceto!…

O exceto causou espanto! Fosse apenas espanto… Exceto?! Nesse momento a porca torce o rabo! Qual o significado que ela quis dar a adjetivação! Contudo, ela estava na caminhada matinal cotidiana, atirou um buenas e continuou na “prece” em passadas de sesmaria. Engasgado com o tal exceto, sem conclusão alguma, o jeito foi o de prosseguir, mas de orelha em pé e de quando em quando – trocando orelhas.

Contudo: se linda, sorriso eterno, face larga, altaneira, buenacha, elegante, conquistadora, desejada, nobre, altiva, virtuosa, esperança de pobre, atriz, jamais atora! Festiva, preciosa, de nome aprazível, alguém pudesse desejar a sua morte!? Alguém alertou – um psicopata! Ah, segundo estudos cientificamente comprovados, eles existem. São reais e incrustados na sociedade, nascem em ranchos e palácios, indistintamente.

Rumando ao fim deste espaço, eis que ela se oferece dentre as brumas matinais, ora, mais robusta e emplumada, noutra, feito névoa em seu findar, apenas um véu de anjo no infinito, algo dissipando, invisível. Num vai e vem de prosa, ela justifica o seu proceder, o seu desaparecimento repentino. Profundamente triste, lamenta, tenha sido relegada, amaldiçoada, vilipendiada, usurpada em sua dignidade, pisoteada em sua razão, usada de forma indecente, maldosa, injusta, inapropriada, ela está imensamente desgostosa. Ela é a brilhante – VERDADE!