Os volteados da bombacha e o feminismo

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 Segundo consta a mulher foi projetada para ser a parte interessante do universo. Enquanto o homem nasceu forte, robusto, capaz de vencer aos elefantes, anacondas, rinocerontes. A mulher veio cheia de “veneno”, sinuosa, sorriso fácil, bela por excelência, charmosa, delicada, sensível e sensual. Quis o destino que ambos se encontrassem no planeta enchendo-o de gentes com matizes variadas.

A leitura dos anais nos permite entender que outrora todos andavam sem roupas e assim se mantiveram até que a inteligência humana permitiu os inventos e eles vieram em todos os ângulos e sentidos, ao ponto de no presente, se chegar, de certa forma a estupefação. Porém, no tempo, essa máxima era maior ainda, e no fio da memória vem à lembrança o ano de 1968, quando o Professor de língua portuguesa José Osvaldo Rodolfi adentrava a sala de aula do 3º ano da Escola Vocacional Agrícola (ora, Guaramano), dizendo: daqui a alguns anos vamos estacionar o ‘caro’ em frente a garagem e ao acionar um botão o portão se abrirá automaticamente! A turma deitou em risos. Depois veio o silêncio e diante da explicação do Professor, a perplexidade.

Compreensível, daqueles meninos/alunos até então, nem todos haviam tido em casa uma junta de bois e uma carroça, logo, atitude coloquial do Professor antes de atirar o habitual bom dia, tão seu, causou uma enorme perplexidade. Naqueles idos, havia dogmas, hábitos e costumes, paraos quais, utilizando-se os olhos de agora, seria uma insanidade, todavia, para os olhos de então, eram questões normais, fatos que se mantêm incólumes nas mentes mais vividas.

Com a evolução tecnológica, dogmática e legislativa, houve uma mudança considerável, e entre eles estão as questões das vestimentas. No passado, as mulheres nem pensavam em usar calças compridas (quando muito, as rurais utilizavam-nas por debaixo dos vestidos) para os trabalhos agrestes. Shorts ou assemelhados, nem pensar. Um local em que ainda em tempos modernos, jamais eram admitidas as presenças femininas trajando outras vestes, exceto, o vestido, era nas casas do Judiciário. Roupas curtas, decotadas, ou as então consideradas masculinas, nunca, jamais!

Na contemporaneidade a questão está totalmente modificada e em muitas ocasiões há que se ter habilidade e muito tino de percepção, para discernir o feminino do masculino, onde até mesmo o rebolar nos confunde. No tocante às vestimentas, há tantas alternativas, ao passo de deixar ambos os sexos bem vestidos e atraentes, respeitado inclusive, o arco-íris. Embora essa gama de ofertas, é nas praias onde impera o quase ‘nadaquini’, o lugar onde a sinuosidade do corpo “perde” a beleza e a sensualidade.

Ocorre que as mulheres desnudas deixam de despertar os olhares machos, pois, quando todos os corpos estão sem vestes, qual a graça! Todavia, quando elas se encontram revestidas, os vestidos ainda fazem a diferença, em especial no uso de tecidos leves e aqueles cuja a arte acompanha as curvaturas femininas. Se a mulher veio linda e diferente dos homens há de moldar suas sobrepeles com o charme sem igual, próprio de cada escultura. Nada se compara a sensualidade de uma mulher sob os adornos de um vestido.

Por louvor ou lamento, no nosso Rio Grande e além fronteiras, está consolidada a assertiva da invasão pela mulher ao último reduto exclusivamente masculino – a bombacha! Embora isso, ainda se fala em machismo no nosso Estado, donde tiraram isso, desconhecemos, talvez, ignoram a implantação do feminismo a décadas! São incontáveis as bombachas vestindo mulheres no Brasil afora, sei as meninas lá de casa também aderiram ao modismo, e aí nas danças galponeiras e nos demais salões já era comum, em virtude dos homens tombarem nas guerras na defesa das mulheres, essas dançarem entre si. Contudo, aos homens é facultado o cabelo longo, logo, estando ambos em bombachas, quantas vezes “juramos” ter visto o Peão dançando com uma Prenda e nos enganamos sobremaneira. Resta ao homem, de longa data, a última palavra – sim senhora!