Outra velinha para o CTG 20 de Setembro

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A velha tronqueira fincada aí na avenida Presidente Getúlio Dornelles Vargas, entidade histórica, plantada com o fito de se tornar um palanque de resistência das raízes do pago e do culto das mais sagradas tradições de um povo, comemorou ontem (28) seus cinquenta e nove aninhos, uns bem vividos, bem cultivados, bem representados, outros lacônicos, porém, vale seus feitos, suas conquistas e suas glórias que são inúmeras.

O Centro de Tradições Gaúchas 20 de Setembro traz no lombo da sua história momentos de altivez, extraordinários, dignos de ser lembrados, pois que se enterrem os negativos, vamos lembrar das conquistas, dos grandes feitos, das gentes briosas, valorosas, quer campesinas ou urbanas, que lutaram com denodo, com galhardia, firmando o arado na verga, no preparo das sementeiras e as lançadas sementes, em solo rico, própria para grandes colheitas. E as colheitas vieram. Vieram robustas, majestosas, encantadoras.

Nestas décadas de caminhadas a entidade fundada por Cristiano Batista Kruel, Bazilisso Leite e mais trinta e tantos companheiros, enfrentou todas as dificuldades da época da fundação, mas esses homens e mulheres souberam há seu tempo, superar os percalços, vencer as barreiras impostas e construir um acervo físico, social, cultural e artístico de grande relevância no seio da comunidade. Enumerar pessoas, sempre é importante, esquecer outras é que é o problema, logo, mencionando o primeiro Patrão e o primeiro secretário, aquele que fora à Capital na busca boa nova, a partir do 35º Centro de Tradições, acreditamos que os demais estão todos bem representados.

O inimaginável é o tom de menos valia que alguns pretendem atribuir aos veteranos que ainda resistem feito guerreiros do tempo, em favor destes se suplica a quem de direito, a recolocação nos seus devidos lugares, por questão de justiça. Aos troncos reverdejados, aos lentos, mas eretos na moral, se requer sejam postos em seus cepos, pois esse lugar lhes será eterno. Uma entidade não se mantém no fio do tempo somente pelo nome, há que se reavivar constantemente as cinzas do borralho para atiçar-lhes as brasas, esse combustível nobre, capaz de rejuvenescer os longevos e reascender a alma do “velho” 20.

Ser 20 de Setembro, nada mais é do que um estado de espírito, e assim deve prosseguir, nunca, jamais em considerar acima ou abaixo de outra entidade. Essas – as entidades são afins no fiel cumprimento da preservação da matriz Sul-Rio-grandense, pago bendito que nos faz suspirar e soltar um grito de patriotismo, ao som do Hino Rio-grandense, ou quando dele, longe estamos. A outrora sentinela avançado do Brasil no continente espanhol ainda preserva suas vertentes e há se mantê-lo para todo o sempre.

O tempo é maior inimigo, no que condiz as pessoas, madeiras, entidades, pois, se faz acompanhar desses “cupins” sempre prontos a carcomer o cerne. O cerne da vida, da alma, o cerne da madeira, o tutano dos ossos, a história dos clubes, inclusive, não raras vezes, corrói a valentia daqueles que se fazem herança dos xucros de ontem! O tempo é senhor e soberano capaz de demonstrar aos que ainda estão por atingir as melenas geadas, o quanto é sábio, o senhor tempo! Aliás, ele tem sido inclemente! É alguém que não perdoa! O tempo deve estar cravado em alguns, feito espada e não se desgruda! Sentirão na vida terrena o quão aguda é essa espada!

Nosso querido centro de tradições marcou de forma indelével tantos e outros tantos concidadãos (ãs) da nossa sociedade, famílias inteiras iniciaram seus passos nos rudes espaços, um rol, um infinito rol de pessoas desfilaram no fio da história e esse legado deve ser “bem guardado”, essa é a maior riqueza do vanguardeiro 20 de Setembro. O patrimônio cultural requer zelo e carinho. A memória do glorioso clama por ações de recuperar o recuperável, pesquisar as memórias vivas e assenta-las em cofres de ouro. Nosso “velho” 20 por quem derramamos lágrimas, talvez sorrisos, mas sempre serás o nosso 20 de Setembro.