Pelica

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Valiosa por excelência! Sutil. Delicada. Um requinte dos nobres. Mão de pelica. Este um dito bem antigo – mão de pelica. Significado passível de conotações várias. Permite o entendimento qual um jargão. Mão de pelica. Bem, é possível permear entendimentos de uma mão protegida. Contudo mão protegida – por mão valiosa – ainda, mão sobre a qual algo se esconde. A pelica cobrindo as mãos sublima duas faces.

Mas carícias com mãos de pelica, em especial, mãos femininas arrepiam pelos adormecidos. O casaco de pelica usado pela madame deixou-a deslumbrante, sacudiu aos presentes e atraiu para si, todas as atenções daquela festa, ainda que os holofotes naquela ocasião fossem direcionados à aniversariante! Esta, a aniversariante, estava qual encanto, e ostentava o mais puro da realeza, ainda que sem pelica, “valseando” até mesmo as milongas. Desdobrada em carinhos e feita ares de felicidade, desfilava altivez. A simpatia da aniversariante rebrilhou ofuscando a pelica.

A carroça se fez velha rodando, rodando e rodou, rodando, firmando trilhos e assentou caminhos lustrosos. No topo assentou estações em brilhantes dourados para os seus séquitos.

Emplumados encouraçados sustentavam aquelas estruturas, com artimanhas postas com estrema sutileza onde o brilho do bronze “jazia” sob as mãos de pelica. Séculos após séculos se mantiveram os aromas dogmáticos, enquanto cismados muitos desprovidos daquelas plumas pereceram por injuriosos.

As frontes das estações ostentavam o gigantismo exacerbado dos protetores e sobre eles se alinhavam as colunas mestras. Sob os olhares desses, nada diverso se poderia resplandecer, esplendor, sobremaneira, apenas o próprio. O similar se destacava logo adiante, com lenço maragato, sob o bater de asas severo do doutrinário mor.

Desgastada a pelica, esta rompeu apresentando todo o seu invólucro e a descoberta deixou vazar o conteúdo com cheiro ocre. Aí foi um roldão, feito vulcão! Este, uma vez irromper a larva incandescente se alastra sem pedir licença e apresenta a matéria-prima, algo “nobre”, próprio do “Etna” que o ejaculou! As protuberâncias dos relevos pós-derramamento vulcânicos não terão mãos de pelica. Aliás, haja pelicas para tantas mãos.

O vulcão que irrompeu com magnitude na escala vulcânica, formará uma nova esfinge, desenho próprio do mineral que o alimentou durante o período em que se encontrava inativo. Um vulcão adormecido por muito tempo, pode se apresentar furioso, quando entra em atividade. Aí não há pelica que resista!