Prosa poética

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Seguindo o raciocínio do texto anterior, publicado em 26 de novembro, hoje abordaremos a prosa poética, também, cognominada, a poesia em prosa. Para tanto, há que se destacar o sentido dado à prosa. Sê, prosa é uma expressão da linguagem (falada/escrita) de um texto em parágrafos, no sentido de expressar o pensamento natural, sem a submissão a ritmo, rima, verso, sílabas e estrofes, usada no cotidiano, exemplificados no romance, conto, novela e crônica. Acrescendo, na questão da poesia, que essa, até a Idade Média, era cantada. Por óbvio, mantendo sempre a nossa conduta de não preponderar no senhorio, sobre o assunto.

Segundo alguns críticos, a poesia em prosa teve origem na França, no século XIX, aos tempos de Baudelaire e Mallamé, e é tida por muitos, por aquela que estabeleceu a quebra de paradigmas, numa revolta de poetas, contra normas, em códigos de escrita, florescendo daí, um novo tempo, sob algumas óticas, gestando uma fusão de gêneros, senão, um novo gênero. No Brasil, Cruz e Souza, o chamado poeta negro, é mencionado, nas questões do pioneirismo.

Um texto redigido em forma de prosa pode conter fragmentos extraordinários de poesia, basta nele se expressar os elementos essenciais desta, sendo totalmente desnecessária a presença do poema. A imaterialidade, o sentimentalismo, a emoção, a conotação dado ao amor, a paixão e outras mais, são as configurações sublimes que a poesia requer.

A prosa pode ser considerada uma das formas da literatura, com o uso em grande escala, no cotidiano nacional, ainda que inadvertidamente, pois, presente inclusive nas crônicas e essas se inserem em todos os meios de comunicação. A prosa poética pode se apresentar com vestimentas da conotação a seguir: Ah se as estrelas falassem – ao por do sol – o poente se faz mais belo quando o manto da noite veste o universo, eis, resplandece o firmamento em cintilares, numa imensidão de estrelas, lindamente produzidas, charmosas, vaidosas, enlouquecidas, adoçadas, enriquecidas por pérolas, “tornozeladas” em ouro, umas em vestidos com fendas provocantes, outras com os decotes infindos, ao ponto dos mamilos aproveitarem a ocasião, para dar uma passeada fugaz.

Já no contexto dos grandes escritores brasileiros, seguem alguns fragmentos de obras:   
Grande Sertão Veredas – Guimarães Rosa
Reze o senhor por essa minha alma. O senhor acha que a vida é tristonha? Mas ninguém não pode me impedir de rezar; pode algum? O existir da alma é a reza… Quando estou rezando, estou fora de sujidade, à parte de toda loucura. Ou o acordar da alma é que é?

Lavoura Arcaica – Raduan Nassar
“Meu pai sempre dizia que o sofrimento melhora o homem, desenvolvendo seu espírito e aprimorando sua sensibilidade; ele dava a entender que quanto maior fosse a dor tanto ainda o sofrimento cumpria sua função mais nobre; ele parecia acreditar que a resistência de um homem era inesgotável.”