Santo Ângelo e o Taquarinchim

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As paisagens de diversas cidades europeias causam uma boa inveja. Entrecortadas por córregos, riachos e rios límpidos, apresentam imagens para estufar pulmões. As definições chegar às graças de fantásticas, diante da exuberância formada pela natureza e as edificações procedidas pelo homem, formando um conjunto invejável. Águas convidativas, vida e alimento, passíveis do usufruir.

Quantos povos estão localizados distantes de correntes d’água, sequer uma sanguinha, para matar a sede da gurizada, que dirá um riacho feito o Taquarinchim, cortando a cidade ao meio. Ainda mais, com águas brotando em borbulhas, do fundo do leito e em ambas as margens, com cílios em alguns pontos, e outros, cílios ralos qual cabeça de um careca. Em pontos com arbustos, até mesmo árvores de médio porte.

Ah, Santo Ângelo despreza o riacho Taquarinchim, trata-o com despudor, joga nele, todos os seus detritos pessoais, desde os dejetos cloacais aos estofados descartados, suntuosos ou não. Santo Ângelo joga no riacho, as suas malquerenças, acompanhadas das desgraças de quem as lança, legando as águas todo tipo de impropérios e desgostos da vida, aliado a ele, outras mazelas.

Assim, não fosse, o outrora riacho majestoso estaria merecendo um tratamento digno, revestido de “ouro”! Seria tratado igual a um triunfo de comunidade. A sociedade estaria reflorestando suas margens, dando-lhe aqueles cílios, qual as mulheres que se fazem lindas pela natureza, embora isso, valoram a face, sobressaindo os olhos, sob os belos sombreados, que os protegem.

Houvesse consideração e respeito pela importância das águas, do leito e das vertentes que o abastecem, não seria ele, alvo de detritos, de feixes de detritos, de resíduos caseiros, de restos da sociedade. Ah, jamais estaria ele penando. Nunca, suplicaria a Diogo Hase, que o socorra, diante da inquietante realidade, realidade funesta, eis que este escolheu-o para abastecer a civilização da outrora incipiente Santo Ângelo Custódio.

Quão belo seria, vê-lo, tal os rios da velha Europa, águas nas quais, os olhos penetram, águas com fauna aquática, louvando-se das riquezas. Haveriam sobre ti, passarelas de distância em distância, onde, inclusive, o turista seria levado para lavar a emoção com os requintes do eu esplendor. Ah, o riacho das taquaras do passado, poderia ser um divisor de dois tempos, do passado remoto, onde sombreavam-te as gigantescas e frondosas árvores, remoçado, poderia reerguer-te, feito um rebelde e robustecer-te, para demonstrar aos homens que és indestrutível e tua beleza infinda.

Irmana-nos a ti riacho Taquarinchim, na tua luta inglória, com glória, imaginamo-te com crianças em banhos, aves em revoadas e gorjeios, as cascatas murmurantes, revestidas do belo, nas águas em queda, saudando as pessoas em delírio. Ah, nosso riacho, te peço, não te aborreça, retome tua magnitude, expulsando de ti, todo o lixo que o povo “de luxo” te joga. Riacho das taquaras, és nobre e belo, puro encanto, de viva memória, conduzes as esperanças, rumo ao grande Oceano, manténs o elo dos sonhos do passado, com os cordéis do porvir.