Semana da Água

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Embora também se comemore o mês de aniversário de fundação de Santo Ângelo, a Semana da água em evidência prevalece sobre a fundação, logo, vamos pedir vênia para republicar o texto abaixo, pois, ainda que água e cachoeira imaginária, também vivemos de sonhos e ilusões.

Uma Cachoeira para as Almas
Foi à luz do luar, num sábado à noite quando alguém nas imediações pronunciou: é preciso construir uma cachoeira para as almas. A frase afundou na razão e se entordilhou nas entranhas da emoção. Enquanto a razão buscava uma lógica, a emoção corcoveava. Suspirava. Queria galopar. Uma cachoeira para as almas. Onde construí-la? Nalgum lugar especial. As almas merecem zelo, cuidado e carinho. Pode ser no topo dos Alpes! Talvez no Salto Pirapó! Quem sabe no cerro Nhacurutum, no Caverá, ou nalguma coxilha erma da pampa, mas poderia ser também nalgum terraço bem cuidado em Santo Ângelo Custódio.

A frase martelava e ainda martela – uma cachoeira para as almas! Lindo, lindíssimo! Alma nem todo vivente tem! Mas bicho, sabemos, alma tem. Eles, os bichos, são carinhosos, adoráveis, amigos, até fiéis amigos. Os pássaros são dotados de alma. Algum vivente fica devendo muito para os bichos e os pássaros. Eles acreditam na gente, confiam, andam próximo, são inocentes. Fazem paródias, cantam belíssimas canções, revoam. Talvez estejam se exibindo para os humanos na esperança de aplausos para as suas pirraças, no entanto, os humanos – nem aí.

O imaginário toma as rédeas e traz a lume um cenário fantástico – um riacho de águas cristalinas, fruto da cachoeira, feito esses cristais reluzentes, transparentes, nele uma multidão de almas renovando as forças num banho em fim de tarde. Banheira para recuperar das canseiras. Ah! Orlando as matas num rincão escondido onde a saudade faz pousada. Um entrevero de almas cantantes aliciando uma multidão de espectadores invisíveis. O riacho, as almas, o banho! O rejuvenescer da alma das almas. Uma profecia poética hilariante! As almas se banhando com as asas quais os passarinhos. Até o Criador tira uma folga para apreciar tamanha candura! Quiçá, estivesse também disposto aos afagos das asas das almas.

Você que expressou essa mensagem cheia de lirismo e ternura há de banhar-se junto com as almas e delas receber um banho com incensos nativos das flores ilustrantes dos campos. Veja-se em banho nas águas/cristais sob as carícias das asas das almas, carícias restauradoras ante o calor dos dias tórridos. Bendiga-se revitalizada nas águas da cachoeira para as almas tão inocentes, ainda que ilusória, uma banheira, fruto de sua mente bendita louvando a vida nos encantamentos das vestes nostálgicas dos cílios, serpenteando os arroios da sensibilidade.

Inexistem rubores nos rodeios de almas, sequer malquerenças, há os benfazejos bem-quereres e alegrias inebriantes sem tédio, nem vaidade! Junto da cachoeira para as almas florescem os jardins em matizadas cores, e as flores emborboletadas se ensaiam para lançar os mais sofisticados pruridos, e o colorido das borboletas deixa o singelo – purpuramente, belo! O canto das borboletas jamais macula, tonaliza suavemente os ares e paira no arrebol,
agradecidas, as aves silenciam. Até os cantores de Viena suplicaram reserva para ouvir o espetáculo da mais nova orquestra denominada – Borboletas Cantadeiras da Cachoeira para as Almas.
Há que se construir uma cachoeira no coração da sonhadora, um espaço mágico para a fidalga!