Sentemcosca no rabicho

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Bota na forma esses beiçudos tio Florêncio! Estes campeiros são valentes, briosos, altaneiros, ainda que embrutecidos pela dura lida. Estes campeiros são exemplos de coragem, madrugadeiros por excelência, não refugam atividade alguma. Nos galpões da estância, bem cedito, estão eles, mateando entre causos e versos de aporfia, charlam nas profundezas da esperança, alcançam o inatingível, nas proezas do amor e na arte do galardeio, se tornam insuperáveis. Esses campeiros das mãos firmes, embora os calos da profissão, esses guapos – são honrados!

Na matriz campeira do Rio Grande se elevou o movimento da preservação histórica, por um de seus filhos, hoje nonagenário, o Sant’nense, João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes, iluminado, aos tempos de moço, ainda hoje, fervoroso idealista, enfrentou os mais íngremes percalços, no resgate dos costumes das gentes que fincaram garrão na pampa, registrou, mostrou, demonstrou, ensinou os palmilhados conhecimentos, é o estandarte do pago, sem dúvidas! Embora isso, foi pisoteado, desprezado, menosprezado! Mas a sua estampa, ninguém irá destruir, com ou sem o merecido destaque.

No viés da forja campeira, o Rio Grande se fez pujante com as charqueadas, na voz dos refregas, pelejas tantas, na courearia, lanifícios, frigoríficos, com os plantares e nos criares das gentes varonis, da dadivosa terra gaúcha, abastecendo celeiros e mais celeiros, abarrotando  navios com alimentos, para o Brasil e o mundo!  Das desgastadas terras, corroídas pela erosão, os xucros homens e mulheres valiosos, com sobriedade e carinho, refizeram solos produtivos, neles fincando as mais modernas tecnologias, extraindo alimentares volumosos. Foram, saqueados, invadidos, mortos, sacrificados, injustiçados! Ainda assim,campeiros/rurais, se os homens da terra não lhes atribuírem valor, os Senhores dos Céu, outorgarão o beneplácido!

Com a bota de garrão ou nos pés descalços, desfalecidos das geadas, com as sementes que germinam em garrões, nas rachas, fruto da força do sereno, já meio corcunda, pelo manejo da enxada ou nas suas montarias, para as refregas na lida, com a criação, lá se vão esses rurais, “chapéuzito”, contra os rigores, olhar fixado na nada, por que o horizonte finda logo ali, alheio aos acontecimentos que assolam Brasília, da bolsa de valores, dos mercados de cereais e carnes, humildemente, cumpre o seu mister, na humildade do rancho de chão batido e Santa Fé, com a benção da Lua, amamentando as lágrimas que irrigam a sangas! Ergue os braços ao Criador, na certeza das bênçãos Divinas.

Centenas de milhares destes rurais, lustram sonhos nas ruelas!Na luz das lamparinas de sebo, retemperam a infância e a vida nas argolas do passado, escondem os olhos sob a aba do chapéu, silenciam, balbuciam, divagam. Quanta luta, quantos percalços, quantodolor! Porém, sorri, diz à si, foram peripécias meninas! Vê o presente desbotado nas mazelas humanas. Reluz em risos – fora doce infância rural -! Mas a vaidade humana funesta, se abre em cicatrizes profundas, mui profundas. Fita com grandeza cada passo de sua caminhada, uma estrela se abre com enorme caudal! Uma prece Divina! Lembra de um adágio rural: sentem cosca no rabicho.