Será que a colina se abre

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A embarcação seguia no rumo em que o vento a conduzia. Estava totalmente à deriva. A chefia abandonara o leme para ouvir as recomendações do seu “supremo”. As águas andavam mais que agitadas, turbulentas. Havia marés, ressacas; a força das águas produzia ondas gigantes, diuturnamente, desde longos e penosos meses. Afinal, tudo estava em ruínas; pelo caminho, destroços. Eram as próprias marcas, além das pegadas, que denunciavam a rouquidão. Infelizes! Os conduzidos, de olhos esbugalhados, suspiravam trêmulos e angustiados.

O “chefe em seu esquife monótono”, mas com a habitual descompostura e ostentando o normal rompante de supremacia, sem sequer atingir a realeza, (des)orientou o comando da grande nau, já desgovernada ao extremo. Essa prosseguia à deriva, para o espanto não só da tripulação, mas também do grande contingente de passageiros em seu bojo. Novo inverno e novas turbulências se anteviam no horizonte, com indicativos de maus presságios, triste leitura, oblíquas consequências. Para onde se iria navegar, em se podendo chamar a situação de navegação?

Malgrado o destino! Como retomar o rumo da nau à deriva? Consultando os manuscritos dos sábios, os adorados sábios gregos, aos rabiscos d’antanho, viu-se, depois, ser de Nostradamus os alinhavos de fatos a suceder o naufrágio do Titanic. Foi no próprio navio que o comandante supremo do Titanic teria proferido: “Nem Deus poderá comigo”. Mormente, havia uma semelhança entre a arrogância do senhor do Titanic, com o supremo conselheiro de quem comandava a navegação desgovernada. Ambos, pífios comandantes, maus leitores, péssimos exemplos, deletérios mentais.

A esperança de salvação da tripulação e dos passageiros do cruzeiro estava além-navio. Agarrados entre si, em suplício, oraram aos céus, buscando forças e a salvação no outro Senhor, esse sim, Senhor! Impensadamente, alguém proferiu: “Nunca!” Nesse instante, feito um raio, em voz orquestrada de coral, ouviu-se o brado “Nããããoooo”. Havia o domínio naquele conjunto de humanos de que – nunca – fora usado perversamente, ao longo de alguns anos, causando um mal-estar geral. E o seu usuário maior estava na embarcação; pior de tudo, estava ele a lecionar a chefia do leme.

Gigantescas ondas balouçavam a navegação, movendo-a aos solavancos das marés, enquanto a massa unida continuava clamando ao alto, por salvação. O grão-senhor, sempre misericordioso e do pleno da sua bondade, irradiou luzes amainando as águas, suavizando as ondas e minimizando os efeitos sobre o navio. A tempestade se manteve mais distante, enquanto a turbulência ocorria mais ao longe. Muitos simpatizantes do senhor “sedizente supremo” buscavam um refúgio para si, nalgum porto onde arremetera no passado vestígios de seus malefícios! Levaria consigo o “famoso” nunca?

Enquanto a embarcação rumava contra o continente, movida pelas forças de nova tempestade, ainda sem comando, os seus ocupantes a se perguntar: “Será que a colina se abre?”.