Sonhos de guri II

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… O agora mocito, tido por Vaqueano e que assim ficou por todo o sempre, numa dessas vindas do pai, quando não mais fazia cavalinhos nos joelhos deste, ousou um plano em parceria com o seu amiguinho, naquelas terras únicas, sonhos esperançosos de uma justa e digna divisão, porém, no imaginário, pois, entre eles, jamais haveria partilha qualquer. Queriam, contudo, saber onde o pai de Vaqueano se escondia, na ausência do rancho.

Havia dias, confabulavam sobre as artinhas daquele. Do alto do morro, um mirante, avistavam todas as terras, até o findar destas – lá onde o céu beija a terra -. Com afinco, vigiam diuturnamente! Haveriam de encontrar o seu paradeiro, o mistério, um esconderijo?Talvez! Tudo terminava logo ali, no horizonte. A mãe de Vaqueano foi alvo de interrogatório, a “coitada” também desconhecia do paradeiro do homem fujão, assegurando aos mocitos, não havia porta nem buraco para sair no “horizonte”, nem escada para apanhar a Lua, o Sol e as estrelas lá do alto. Disse-lhes nunca ter tentado apanhar as estrelas beirando o chão.

Lunário, assim o chamava Vaqueano, sugeriu ao amigo, seguirem o malandro quando da próxima visita e assim se fez. Vaqueano percebeu que o pai partiria no romper do dia, assim, deixou o catre mais cedo, mas manteve-o tal estivesse ali,coberto, no estilo de piá, rosto sob o tirador. Dito e feito, antes da Dalva se despedir, o taura saudou a mãe de Vaqueano, com aquele despedir-se de deixar a parceira saudosa, ansiosa, sentir-se amada. Depois, se dirigiu ao catre do piá, nem percebera que o filho estava moço, para ele, sempre piá. Retirou-se abençoando o filho, sem toca-lo.

Vaqueano, postado no oposto da lua, pode divisar a passagem do vulto, acompanhando-o ao longe, seguindo pela trilha aberta pelos mocitos, enquanto Lunário, ansiosamente, aguardava a passagem do fujão, ao longo percurso, oculto pela vegetação, onde oparceiritoencontraria-o,no entreposto da Lua (homenagem a Lunário), nome dado por Vaqueano, ao vão da montanha, onde a luz se hospedava, dando ao local uma imagem belíssima e dos dois apreciavam a beleza do local. Mas o cavalo de Lunário,quase estragou toda a articulação montada, ameaçou relinchar quando notou a presença do petiço de Vaqueano.

O silêncio da floresta permitiu-os ouvir as coplas assoviadas pelo andejante. Seguia ele, soberano, emponchado, jamais imaginava estivesse sendo seguido, que dirá, por dois frangotes. Lunário e Vaqueano, uma vez gestado o plano, desvendaram grande parte das paragens. Surpresos por localizar outras montanhas e nas vigílias noturnas, estrelas desconhecidas. Sabiam agora, de trilhas maiores por onde passavam tropas, bem examinadas, de equinos e bovinos, disso tinham certeza, na “voz” dos rastros (diferentes entre si). Quando o fujão adentrou a curva que julgavamengoli-lo e representar até poucos dias, o fim da terra, retomaram a cavalgada, seguindo-o comedidamente. …segue dia 16/06.