Sonhos para revoadas

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É a saudade que se esvai quando bebemos o apojo de fraternos abraços, retemperando as amizades construídas nos pesqueiros. Esses, semeados no lombo das aguadas, pela força da natureza, paraíso para as almas poéticas, onde a construção do verso se faz dança, qual chalana no embalo das travessias. O lugar predileto para o repouso, é o dorso da coxilha para assistir ao bailado das estrelas no infinito e nas águas dos açudes, em movimentos sutis, de dar inveja às borboletas, no pousar itinerante nas flores dos campos ou nos jardins cultivados. A mansidão desses momentos faz sonhar! Logo, embevecido o sonhar de saudades com o cheirinho d’alguma bromélia.

Sonho com risos de deusas, vestindo o céu de azul, o sonhar leva aos sorrisos das musas se aninhando nos catres, vejo no horizonte um menino, com a imagem de um campereador, essa canção embala a alma desse domador!

Nos cânticos de suaves mensagens, em versos d’outras querências, ouço os menestréis em sonatas, são luzes irradiando a paz, acarinhando minh’alma, com as pétalas da bondade, suavizando a descortesia! Na leveza desse nobre gesto, o Criador se faz candura, e a criatura se enobrece c’os enlaces dos romances, os rouxinóis a contragosto, enciumados dessa paixão, demonstram rebeldia, fazem bulícios frenéticos, para retomar suas cantatas. Flamantes são esses momentos, em que a doçura e o benquerer, em sublimes e ternos cantos, puras dádivas pra nostalgia, com perfumes de amor!

Em berço em esplendor, uma raridade em beleza, uma dádiva majestática, uma constelação de estrelas, um dicionário em sabedoria, um campo aberto em proezas, uma fábrica de saberes, um pago inteiro em fraternidade, um universo em fidalguia, uma fábula na construção, um sem fim de poemas épicos, um manancial de criatividade.

São doces as noites de paz, onde os anjos nutridos de fé, assim benditos protetores, belos e líricos cantos, se fazem sonoros silvos, é a festa pros pirilampos, iluminando meus campos, reluzem meus olhos em prantos, na plasticidade do momento, onde impera o romantismo, volto-me ao iluminismo, e os aromas adocicados, reluz a esperança e douram os pruridos da mente, contagiando a emoção, supremo convite à divagação!

Suspiro essas maravilhas, entrecortadas de pérolas, lídimos alvéolos, esbeltos em mistérios, e as paisagens provocantes, jubilando o verde do descolorido, numa face a reacender o olhar, se faz vitrine, um majestoso altar, perseverante na crença, prostro-me em imolação, diante do mar de maravilhas, pintadas pela mão nobre, abre-se em simpatia, o mais profundo do momentos, é Deus reacendendo a fé, e reiluminando o universo!