Um cidadão

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Um cidadão raro partiu para outra jornada! Antônio Cesar Santos Pereira foi convocado para cumprir outra jornada, esta, na Estância Grande. O Pereirinha, forma carinhosa pela qual era tratado por muitos que lhe estimavam, estará cavalgando nos campos da eternidade (assim diziam e dizem muitos poetas, ainda hoje), onde, por certo, uma legião de gaúchos o recepcionou naquelas plagas.

Cesar Pereira nome usual, o Antonio Santos, poucos usavam. Portanto, aos que lhe tinham afeto e aos que o admiravam e não souberam da partida do Pereirinha, do Cesar Pereira, ele deixou semeada a saudade na sociedade. Não há dúvidas, ele vai ficar na saudade de seus contemporâneos. A sinceridade de propósitos, a dignidade, o tom conciliador, o amigo, o companheiro, o “irmão de todos”, o Pai e grande Amigo dos filhos, o parceirão da Lurdinha, o incentivador, o cavalgador, o patrão do CTG 20 de Setembro, o sorriso sereno, o conselheiro, um grande agente dos clubes de serviço, o Médico veterinário competente. Esses são apenas alguns dos atributos do maninho que partiu.

Em quantas jornadas do Movimento Tradicionalista ele se fez presente, talvez, incontáveis. Sempre com atitudes dignas e coerentes em favor desse segmento social, jamais procurou servir aos interesses particulares. Atuou com altruísmo. Junto com Aníbal Fonseca se tornou um dos maiores cavalgadores do CTG 20 de Setembro, ainda que haja quem não dê valor a essa atividade, nela, além de outros valores se transporta o civismo, se conduzem os sentimentos de fraternidade aos irmãos de outras querências, irmanando gentes, partilhando sentimentos, entrelaçando culturas, acumulando conhecimentos. Cavalgar é sentir a liberdade bater ao peito!

O grande Pereirinha cavalgou par e passo com os filhos Daniel, Andressa e Guilherme, e por certo vai curtir do além o sucesso dos meninos, que a Lurdinha terá a oportunidade de continuar curtindo neste plano. Todos estão bem postos, encaminhados para enfrentar a vida. Se há um lugar diferenciado para os espíritos, sem dúvidas, esse – de Cesar –, há de estar num lugar privilegiado. Um fogo de chão, um chimarrão e uma charla galponeira, num ranchito bem campeiro, hão de fazer parte do cenário.

Cesar e Lourdes Pereira, no comando da patronagem de 1998, implantaram o Concurso de Peões no CTG 20 de Setembro, e o objetivo disso foi alcançado no concurso regional 1999, quando a entidade conquistou quatro brasões regional, um deles, exatamente o de Rafael, que no ano de 2000, conquistou o Rio Grande.

Pereirinha presidiu o único Concurso de Peões estadual já realizado em Santo Ângelo, quando Rafael Steinke, representando o CTG 20 de Setembro, passou o Brasão de Peão do Rio Grande. O evento foi marcante e Cesar cumpriu aquela jornada com raro brilhantismo. Na oportunidade, seu afilhado Rafael, por ocasião da cerimônia inaugural, adentrou ao pavilhão no parque de exposições, montando em pelo e sem rédeas, a sua égua, surpreendendo aos presentes.

Cesar integrou a patronagem do CTG 20 de Setembro no ano 2000, quando foram trançadas metas e objetivos, na construção de um tempo novo na entidade, no que condiz às invernadas de danças, cujo objetivo foi alcançado já no ano de 2001, com a primeira classificação da entidade para a grande final do Enart, antes um sonho. Naquele ano – 2000 –, não raras vezes a patronagem se reuniu às 6h, ainda que sob o rigor da invernia. Jamais reclamou disso!

São essas, algumas das sementes onde está a marca do Pereirinha, e que deram frutos, outras ainda frutificarão. Grande Cesinha – teu exemplo deveria servir de inspiração – para outros!