Um golpe na democracia

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O foco proposto versa sobre a expressão de Rui Barbosa – Águia de Haia: “A política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha, a malária dos povos de moralidade estragada”.

Quando das eleições de 2010, abordamos a expressão acima do grande Rui Barbosa, considerando o ano eleitoral no Brasil, longe de imaginar que algum político no Brasil fosse capaz de se contrapor aos princípios dos valores da moral e da ética! A política é a higiene dos países moralmente sadios, é algo realmente profundo, entretanto, é preciso fazer uma ressalva:

Os países são sadios! Insanos e imorais podem ser os homens que os governam, por igual – os governados. E nesse sentido, fica a impressão de que desde ates de Rui Barbosa, os homens praticavam a politicalha.

Essa constatação se estribada nos noticiários cotidianos. A corrupção é ativa e permanente. Fraudes em licitações. Pagamento de propinas. Partilhas de recursos públicos. Desvios de verbas da saúde! Mensaleiros e mensalões! É uma verdadeira indecência, gangues sugando cofres, isso, com a participação de alguns políticos, ainda bem, exceções existem!

Contudo, a regra está posta. Das pequenas Câmaras de Vereadores ao grande Parlamento e órgãos governamentais. As manchetes trazem à tona a conduta desvirtuada de muitos figurões. Todavia repriso, toda regra tem exceção. Quiçá, nem mesmo um crematório resolverá nosso problema.

Os dois parágrafos acima, reescritos sobre um texto que publicamos no JM, há pouco menos de dois anos e de lá para cá, havia esperanças de vermos um novo Brasil, guiado por políticos mais sóbrios, com atitudes mais lídimas, com gente mais austera, liberta dos germes do mal de toda a natureza, ainda que herdadas em outros outonos! Considerando a tramitação de inúmeros processos em todas as instâncias judiciais, e muitos, muitíssimos inquéritos inconclusos, denúncias por aforar e processos aguardando sentença. Havia essa esperança! Havia!

A extensão territorial brasileira não é motivo para se alegar desserviços, deslealdade, nem falta de moralidade. Todavia, se essa for a razão, a solução é simplória. Vamos dividir o país em vários estados independentes e está resolvida a questão. A sociedade brasileira é sabedora de diversas questões pendentes em órgãos públicos. São infinitos e muitos agentes ainda podem ser denunciados e condenados. Contudo, em nossa ótica, talvez o leitor imagine no mesmo sentido, ao mesmo que lhe cabe olhar com sua razão, alguns fatos quase sem cor.

Quando o foco nacional se voltava ao julgamento na esfera máxima da Justiça Brasileira, de agentes malversadores de verbas públicas, resultando condenados em plena campanha política para prefeitos e vereadores, e a ficha limpa já se fazia exigência aos candidatos aos cargos eletivos municipais, as campanhas demonstraram o quão pequeno é o ser humano quando ele está em busca de um cargo eletivo. As evidências de fraudes contaminaram as eleições e semearam desconfiança! A desconfiança deveria causar indignação e constrangimento, até porque envolve os futuros legisladores, administradores, possíveis cargos de elevada confiança. Indaga-se: onde dica a confiança do eleitor/contribuinte?

Embora não seja algo recente o eleitor e os agenciadores do voto, juntamente com muitos políticos estão manchando a Democracia e contaminando toda estrutura eleitoral do país ao agir com indignidade, negociando seu voto! Fica a impressão que os julgamentos no Supremo Tribunal Federal possuíssem menos valia. Sabe-se que em alguns países, esses contraventores eleitorais já teriam se suicidado, aqui vamos vê-los exercendo secretarias importantes, legislando em câmaras e administrando prefeituras. Uma lástima!