Uma Linda Flor Xirua

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O clima moldou-a! Ela nasceu sobre uma coxilha, bem ali na bifurcação do arroio com o rio. Um recanto hostil no inverno, rude no verão, outonos e primaveras menos judiados, ainda assim, desesperançado. Isso, para os visitantes, viageiros, passantes, cruzadores, a das sensíveis gentes dos centros urbanos, acostumadas aos climas modelados por aparelhos, além dos moradores dos polos gélidos que de século em século, trocavam o Ártico pelo Antártico. Por que ela e seu maninho desconheciam adversidade, jamais deram importância as manifestações climáticas.

Aquela coxilha linda, aconchegante, convidativa, liberta, era perfeita, nada faltava, tudo germinava, desenvolvia, produzia. Desde menininha se afeiçoara aos pássaros que diuturnamente aportavam naquelas plagas. O piar da coruja suscitava nela, coragem para enfrentar a noite. Com essas aves havia perfeita sintonia, sentava ao lado toca delas e as acarinhava, quando saiam para as incursões noturnas. Elas demonstravam perfeita sintonia com a menininha, realizavam rápidos voos, retornando em breve, feito protege-la!

Acordava no raiar do dia, acompanhava a mãe na ordenha e sugava o apojo direto na teta da vaca, essa, parecia ser-lhe a própria genitora, ante os cuidados com a pequenina. Quando corria o campo, merecia todos os cuidados da Malhada, essa vinha pastar próximo e impedia a presença dos seus iguais, nas proximidades. Gostava de sentar junto a uma Guajuvira secular, donde avistava o minuano bravio, esparramando a invernia e no verão, refugiava-se entre os galhos, parecia sentir as ausências das gotas de orvalho congeladas.

Em parceria com o maninho, escavou uma Timbaúva tombada pelo vento, com intuito de servir de bote, no qual remavam as águas mansas do arroio, até as proximidades da Curva Ensolarada (levava esse nome, por receber os últimos raios solares das tardes), medida asseverada pelos pais, cientes das correntezas do rio mãe, junto a foz. No mesmo sentido do irmão, tornou-se exímia pescadora! De aves e bichos da redondeza, conhecia todas as espécies, hábitos alimentares, perigos, docilidades. Plantas e arbóreas, desenhava as qualidades, finalidades e aproveitamento.

Contudo, a predileção da florzinha do campo, consistia em cavalgar sobre o dorso da peticinha. Uma gateada esperta, montava-a sem arreios, sequer usava rédeas, comandava a parceirinha pela fala, uma sintonia perfeita! Ainda pequenina, escrevia nas areias margeantes do arroio, criava historinhas do cotidiano, filmezinhos da vida pacata, porém, amava viver as suas aventuras. Certo dia, ao cruzar diante do espelho viu uma moça, retornou, parou, olhou perplexa. A realidade… arregalou os olhos! Espiou a mãe, quanta semelhança nas duas criaturas. Aquele recôndito havia gerado, uma linda flor xirua!

 

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