Visto pelos olhos de lá

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A população é refém de seus representantes, em especial, dos ocupantes de cadeiras no Congresso Nacional, dos palácios do Planalto e estaduais, das respectivas Assembleias Legislativas e, ainda, dos ocupantes das prefeituras e das Câmaras municipais. A legislação é gestada nesses órgãos, depois, sancionada ou vetada, nos mesmos recintos, e após, a população que se “deleite”.

Há leis com grande alcance e repercussão social, outras de péssimo gosto, sabor, proveito, mas de consequências nefastas. Porém, a responsabilidade é nossa – do eleitor –, porque não basta alguém se apresentar na condição de candidato, te oferecer paga, ou falar ruidosamente, para que deposites a tua outorga em favor de um desconhecido.

Abordamos esse viés considerando a falta de domínio das questões por grande número de “tiriricas”, vestindo fatiotas e frequentando as casas reais sem melhor razão de ser. E nesse condão está um dos assuntos mais palpitantes, no qual tropeçamos diariamente. O lixo que produzimos! Entrando nesta senda, aliás, Santo Ângelo promete ser uma cidade limpa, em breve. Deveria sê-la há tempos, contudo, nossa (ir)responsabilidade, essa máxima. Ignoramos a nossa produção de detritos.

Mais profunda ainda é a falta do domínio do conhecimento sobre a natureza, qual ela nos ensina, cotidianamente. E a maioria da população desconhece a força dela e a incrível performance em se autorreflorestar. Dúvidas? Faça a própria experiência e obstaculize o trânsito numa artéria com paralelepípedos, pelo prazo de seis meses, aí voltaremos a conversar.

Pois bem, há gente que nunca cavoucou uma minhoca, logo, desconhece até do tipo de solo onde possa ser encontrada. O conhecimento sobre o uso e manejo do solo, conhecimentos aprofundados com a vegetação, deveria ser premissa maior, para o exercício de determinadas funções. Há os de gabinete, que sequer conhecem o esterco de vacuns, mas legislam e determinam sobre a área rural! Alguém vai expor que estão plenamente capacitados, já estão pós-doutorados. Alguns até leram ou folhearam livros, entretanto, decoraram a legislação de rabo a cabo e aí são tidos por especialistas no assunto! Aí é que mora o perigo!!! Aquele que amanha a terra, sim, pode ser senhor absoluto sobre a mãe natureza. Eles se entendem, se ajudam mutuamente, se compreendem e se servem instintivamente.

Havia poucos dias, um(a) representante de órgão público em reunião com rurais, segundo dizem, em soberba máxima, foi reduzindo os humildes, mediante ameaças diversas, até cair o véu do desconhecimento. Bastou alguém lhe lançar um único questionamento, faleceu! Mais ainda, interrogado sobre a responsabilidade quanto ao meio ambiente, se solidário entre urbanos e rurais, disse, sim, ser solidário. Contudo, de antemão havia fornecido aos presentes o andar do prédio em que residia, até para cuidar do alto, dos descuidos dos rurais, quando um destes rudes “por ingênuo” lhe indagou quantas árvores ele(a) já havia plantado e quais as que deram melhor resposta? Coitado(a), nunca “sujara” as suas lisas mãos, com a “suja terra”!

Contudo, a “derrocada” maior ocorreu quando outrem, “desavisamente”, manifestou: Sr(a), mas se a responsabilidade é de todos, então cada urbano deveria ser obrigado a adquirir no mínimo um hectare de terra e reflorestar. Pasmem! Acabou a reunião.

Aqueles que possuem o viés rural sabem muito bem que a legislação não acompanha as respostas do meio ambiente, por igual, não é sábio o homem, por ser urbano. Em primeira mão esclarecemos que somos ambientalistas e reflorestadores e zelamos pelo entremeio. Nosso Pai podava árvores nativas ainda na década de 60, e com enorme resultado. Hoje, doutos senhores(as) assinalam ser ação criminosa podar árvores não frutíferas, claro, isso para quem desconhece a natureza, porém, aprecia-a do alto dos arranha-céus, contudo, plenamente cabível aos lidadores do habitar.

Entretanto, os mesmos ferrenhos defensores de ações vigorosas abrandam seus olhos quando entram em cena os interesses de seus afins. Pobre do homem rural tem o lombo curtido pelos rigores das intempéries, desconhece as facilidades dos concidadãos das cidades, mas não desconhece dos rigores da lei e ela é lhe é implacável.