Gana Missioneira

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Poncho Verde – no dia 28/02/1845 encerrava-se a Revolução Farroupilha. O Tratado de Poncho Verde, também conhecido por Convenção de Poncho Verde ou Paz de Poncho Verde é o nome dado a um ajuste que pôs fim a dez anos de enfrentamento entre Farrapos e Imperiais. No final do mês de fevereiro o tratado foi examinado pelos republicanos, sendo que os termos do documento já haviam sido assinados pelo barão de Caxias, intitulado Convenção de Paz entre o Brasil e os Republicanos. Para representar a República Rio-Grandense, os republicanos nomearam o comandante-em-chefe do exército farrapo, General David Canabarro, o qual aceitou as condições.

Oposição ao Tratado de Paz – durante a assinatura do acordo, os principais líderes farroupilhas, Bento Gonçalves, Antonio de Souza Neto e Gomes Jardim, fizeram-se ausentes, por não concordarem com as condições apresentadas, o que demonstra claramente o confronto político dentro do movimento republicano. Por certo, esta disputa interna foi uma das razões do enfraquecimento da revolução farroupilha.

Descumprimento às cláusulas – os líderes que não concordaram com as condições impostas, de certa forma estavam certos, pois várias cláusulas não foram cumpridas pelos imperiais. Os farrapos não escolheram seu presidente da província, o império não ressarciu integralmente as dívidas de guerra contraídas pela província do Rio Grande do Sul e tampouco houve a libertação de todos os escravos que lutaram no exército farroupilha. Alguns escravos foram devolvidos a seus donos e 120 foram mandados incorporar pelo Barão de Caxias aos três regimentos de Cavalaria de Linha do Exército na Província.

Sequelas – ao final da Revolução Farroupilha, muitas sequelas permaneceram entre os dissidentes republicanos. Um dos pontos intrigantes foi o assassinato de Vicente da Fontoura (anti-Bento Gonçalves) em 1860. Estas disputas vieram a tona em 1893 na Revolução Federalista, completando-se ainda na Revolução de 1923. As pendengas somente findaram 85 anos após o Tratado de Ponche Verde, quando Getúlio Vargas ascendeu à Presidência da República do Brasil, na Revolução de 30.

Vicente da Fontoura – é considerado um dos maiores líderes civis da Revolução Farroupilha. Em 1941 foi eleito Deputado para a Assembléia Constituinte e Legislativa Farroupilha, em Alegrete. Na oportunidade, representava a minoria, em oposição a Bento Gonçalves. Por ser anti-separatista, tinha a simpatia do Governo Imperial, sendo por isso escolhido pelos republicanos, por unanimidade, para negociar as condições de paz. Esteve na corte onde defendeu os direitos rio-grandenses, fazendo com o que o império compreende-se o quanto era delicada a questão. Ao retornar para o Rio Grande do Sul, percorreu todos os acampamentos farrapos, divulgando as condições estabelecidas para o tratado de paz. Sem dúvida, foi um dos personagens mais importantes para que o Tratado de Ponche Verde fosse assinado. Morreu no dia 8 de setembro de 1860, vitimado por três punhaladas em uma tarde de eleições na paróquia municipal de Cachoeira do Sul.
Gaúcho – muitos, até mesmo rio-grandenses, custam a entender os motivos que levam os tradicionalistas a comemorar a Revolução Farroupilha, quando aparentemente festejam uma derrota. Porém, antes de se considerar quem foram os vencedores ou perdedores, vale lembrar que até 1835 o Rio Grande do Sul ocupava uma posição incomoda perante as outras províncias. Esquecido pelo Império, alvo de todas as explorações e do sarcasmo de muitos imperiais, o gaúcho era termo pejorativo dos gaudérios que vagavam pelos campos da província. Não havia uma identidade regional, o que somente foi conseguido após dez anos de luta.

Trava-línguas – conhecido também por ‘enrola-língua’, esta brincadeira foi usada por nossos avós. É composta de palavras ou frases que ditas depressa e repetidas vezes apresentam dificuldades na pronúncia. Eis algumas:

– O padre Pedro partiu a pedra no prato de prata.
– Troca o trinco, traz o troco, traz o troco, troca o trinco.
– É preto o peito do Pedro, o peito do Pedro é preto.
– A aranha arranha o jarro. O jarro arranha a aranha.
– Um tigrinho, dois tigrinhos, três tigrinhos.

“Muita farofa é sinal de pouca carne” (Adágio campeiro)