Gana Missioneira

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 Regionalismo – cada vez mais me surpreendo com expressões que buscam negar ou desvalorizar o que é regional. Não se trata apenas do regional tradicionalista (MTG), mas de tudo aquilo que é produzido no Rio Grande do Sul, seja relativo a produtos e serviços, ou marcas e pessoas. No ímpeto de declinar o que é rio-grandense, menosprezando seus conterrâneos chegam afirmar que o nativo é aquele “que tem ‘cacaca’ de cavalo nas botas”. Ora, o que faz um produto tornar-se melhor, é sua qualidade e o que torna um homem de valor é seu caráter, ou, na profissão, seu talento. Ser regional ou universal não é mérito para avaliação de ninguém. Na dúvida, melhor ser regional do que fantasiar-se de globalizado, buscando além mar identidades que jamais serão suas.

Bairrismo – eis a palavra mágica da qual os ‘anti-regionalismo’ usam e abusam para acusar os nativos que buscam ‘cantar a sua aldeia’. Basta ouvir um ‘ah! Eu sou gaúcho’ para proliferarem acusações de bairrismo. Quando o assunto é CTG, indumentária e música de gaita e violão, os impropérios aumentam. Esquecem que o amor à terra natal, a querência, enfim, a própria aldeia, gera benefícios imensuráveis. O que causa o dano são o radicalismo, a falta de humildade e o orgulho exacerbado. Cantar o hino rio-grandense ou gritar ‘ah! Eu sou gaúcho’ em um estádio, não quer dizer nada mais do que ‘amo minha terra, ela é importante para mim’. Reforça uma ideia de pertencimento. Negar esta condição é querer transformar o seu local num universo sem endereço definido. Certa feita o cantor Ernesto Fagundes, explanou de forma clara: “O amor exagerado pela terra não faz mal a ninguém desde que respeite a opinião do outro”.

Bairrismo II – este sentimento de amor à querência é fruto de uma cultura desenvolvida há décadas, desde quando o Rio Grande do Sul recém era fixado no mapa do Brasil, trezentos anos depois de Salvador. Nossa afirmação pela terra ocorre num sentimento intrínseco de conquista, não apenas pela luta dos gaúchos a cavalo, mas dos imigrantes que aqui chegaram (italianos, alemães, poloneses e açorianos), e os quais adaptaram suas culturas ao novo chão, fazendo brotar um mosaico cultural invejável. Mas não é o sentimento de amor ao Rio Grande do Sul que faz o estado estancar e criar uma barreira aos demais. O que prejudica o estado são as políticas governamentais desastradas, e que perduram governo após governo.

4 de dezembro – Comemora-se neste domingo o “Dia do Repentista Gaúcho’ e “Dia do Artista Regionalista”. Esta data foi instituída oficialmente pela Lei Estadual 8.814/89, promulgada em 10 de janeiro de 1989. A referida lei também designa Leovegildo José de Freitas (Gildo de Freitas), PATRONO DO POETA REPENTISTA GAÚCHO e Victor Mateus Teixeira (Teixeirinha) PATRONO DO ARTISTA REGIONALISTA GAÚCHO. A data escolhida, 4 de dezembro, marca o dia do falecimento destes dois artistas, sendo Gildo de Freitas em 1982 e Teixeirinha no ano de 1985.

Desafio de Trovadores – neste final de semana ocorre na ‘Terra dos Caciques’, cidade de Cacequi, o 19º Desafio de Trovadores. Por lá estaremos colaborando na comissão avaliadora deste evento que reúne cerca de 40 trovadores, na disputa das três modalidades de improviso: Campeira (mi-maior); Estilo Gildo de Freitas e Martelo.

Expressões – no meio regional, não só gaúcho, mas de qualquer aldeia, os nativos criam designações, adágios, comparações, enfim, moldam figuras de acordo com sua cultura local. Os tipos humanos não poderiam fugir a esta regra. Por isso algumas definições que fazem ou fizeram parte do nosso dia a dia: POSUDO – sujeito exibido, cheio de si, que só faz pose; MOSCA-MORTA – pessoa imprestável, sem interesse, sem serventia. MOCORONGO – pessoa lerda, devagar, muito conhecida por ‘bocó’. GARGANTA – o mesmo que gabola, sujeito que arrota grandeza, mas na hora do perigo é o primeiro a disparar. FACA NA BOTA – sujeito sempre pronto para a briga, nervoso que leva tudo na ponta da faca. CHINELÃO – xingamento muito forte que equivale a bagaceira, mal educado, mal arrumado, enfim, alguém de baixo nível.

“A cultura não é um substituto para a vida, mas a chave para ela” – Mallock