Gana Missioneira

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 DEZEMBRO – O ano de 2012 se aproxima, em breve estaremos comemorando a chegada do novo ano. Antes, porém, ocorre a celebração do aniversário de Jesus, assinalado no calendário Cristão pelo dia 25 de dezembro. O historiador inglês Eric Hobbsbaun afirma em um de seus livros, que toda tradição pode ser inventada, o que se comprova com a data natalina. Muito tempo antes da natividade, os finais de ano eram dedicados ao sol, em momentos de festa, felicitações e trocas de presentes.

NATAL – A data de nascimento de Jesus sempre suscitou grandes discussões. O antropólogo Geraldino Moreira escreveu o seguinte: “Comecemos por verificar que o Dia de Natal, e respectivamente a festa religiosa, não nasceu na igreja católica e sub-apostólica. Somente na metade do século III de nossa era que a Igreja começou a celebrar liturgicamente no Natal. Inicialmente foi escolhido o dia 2 de janeiro, mais tarde passou para 20 de maio, depois regressou para 18 ou 19 de abril e para 25 ou 28 de março. Logo após, o dia 6 de janeiro ficou denominado de Natal, pois diziam que nesta data Jesus havia recebido os presentes dos Magos. Entretanto, no ano 336 d.C. (4º século) o Bispo de Roma Júlio I oficializou o dia 25 de dezembro como sendo a data de nascimento de Jesus. Uma das razões para a fixação desta data é que Maria estaria em três meses de gestação quando foi ajudar sua prima Izabel (a lenda da fogueira de São João) por ocasião do nascimento de São João Batista, cuja festa é celebrada em 24 de junho”.

NATAL GAÚCHO – No Rio Grande do Sul, o Natal recebeu influências expressivas dos imigrantes (alemães, italianos, poloneses, etc…), as quais foram somadas às dos portugueses, sendo que podemos citar algumas heranças culturais:

Lusa (portuguesa) – a Missa do Galo, celebrada as vésperas do Natal em todas as Igrejas; a ceia que acontece em todos os lares, representada num banquete doméstico (assados, bebidas, bolos, doces, figos em calda e frutas secas), lembrando a festa pagã da colheita. Igualmente, de herança lusitana é o Terno de Reis, representando a visita dos Reis Magos, que levam a boa nova, saudando os donos das casas visitadas.

Alemã – A árvore de Natal, geralmente um pinheiro, enfeitada com diversos ornamentos; a Coroa do Advento, cujas velas são acesas nas semanas que antecedem ao dia 25 de dezembro; as ‘Weinachts’ (bolachas confeitadas com formatos de pessoas, animais, plantas, etc…)

Italiana – O Presépio, que segundo a religião católica, deve-se a São Francisco de Assis, o qual no ano de 1221, no Bosque de Greccio, na Itália, criou um cenário ambiental da natividade. Neste local, São Francisco de Assis teria levantado um altar com símbolos litúrgicos, inclusive com manjedoura e figuras esculpidas. Note-se que ainda não havia qualquer relação do presépio com o pinheirinho de natal.

ORIGEM DO PAPAI NOEL – A tradição de dar presentes na época de Natal relaciona-se a São Nicolau, Bispo da Igreja Católica que nasceu na Turquia em 280 d.C. Entretanto, com o passar do tempo, a festa natalina centralizou-se em torno de outra figura: Papai Noel. Até o final do século XIX, o Papai Noel era representado com uma roupa de inverno na cor marrom ou verde escura. Sua atual figura data de 1882, quando Dr. Clemente Clark Moore – catedrático de teologia do Colégio Chelsea de Nova Yorque – lançou o poema ‘Uma Visita de São Nicolau’, escrito para seus seis filhos. No poema, Clemente divulgava a versão que Papai Noel viajava num trenó, puxado por renas, distribuía presentes para as crianças e entrava nas casas através da chaminé. O cartunista Tomas Nast inspirou-se no poema e deu forma, cores e traços ao Papai Noel, restaurando a cor vermelha da roupa do velho Bispo Nicolau e acrescentando uma capa e um gorro vermelho. Desta forma, não só a roupa de São Nicolau americanizou-se, mas também perdeu seus símbolos litúrgicos e sua mensagem cristã, tornando-se meramente uma figura comercial.

COCA-COLA – No ano de 1931 a Coca-cola realizou uma campanha publicitária vestindo Papai Noel conforme Tomas Nast tinha desenhado, com as cores vermelha e branca o que foi muito conveniente já que estas eram as cores do seu rótulo. A campanha fez um enorme sucesso e a nova imagem do Papai Noel espalhou-se rapidamente pelo mundo. Portanto, a Coca-cola foi a responsável por ajudar a difundir o mito tal como ele é, mas, de forma alguma por criar a tão conhecida figura.

“O mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede: conheço um que já devorou três gerações da minha família.” (Mário Quintana)