Gana Missioneira

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 Aniversário – lembramos na data de hoje, o aniversário de um dos escritores brasileiros mais populares do século XX: ÉRICO LOPES VERÍSSIMO, nascido em Cruz Alta em 17 de dezembro de 1905. Após concluir o 1º grau (antigo ginásio) em Porto Alegre, retornou à sua cidade natal, empregando-se no comércio. Também foi bancário e sócio de uma farmácia. Em 1930 transferiu-se definitivamente para a capital do estado, onde após trabalhar como desenhista e de publicar alguns contos na imprensa local, empregou-se na Editora Globo, na função de secretário do Departamento Editorial. Nesta condição, viajou duas vezes aos Estados Unidos, onde ministrou cursos de literatura brasileira.

Características – as obras de Érico Veríssimo são divididas costumeiramente em três grupos:

1 – Romance urbano: registram a vida da pequena burguesia porto-alegrense, com uma visão otimista, às vezes lírica, às vezes crítica, e com uma linguagem tradicional, sem maiores invenções estilísticas. Nesta fase, ou neste grupo, destaca-se ‘Caminhos cruzados’, considerado um marco na evolução do romance brasileiro.

2) Romance histórico: O tempo e o vento. A trilogia de Érico Veríssimo procura abranger duzentos anos da história do Rio Grande do Sul, de 1745 a 1945. O primeiro volume (O continente), narra a conquista de São Pedro pelos primeiros colonos e é considerado o ponto mais alto de sua obra.

3) Romance político: Escrito durante o período da ditadura militar, iniciada em 1964, denunciam os males do autoritarismo e as violações dos direitos humanos. Desta série destaca-se: O senhor embaixador, O prisioneiro e Incidente em Antares.

Gaúchos – Certa feita, na década de 60, em resposta a uma escritora nordestina que considerava os gaúchos acastelhanados, Érico Veríssimo assim definiu essa situação: “Somos uma fronteira. No século XVIII, quando soldados de Portugal e Espanha disputavam a posse definitiva deste então ‘imenso deserto’, tivemos de fazer a nossa opção: ficar com os portugueses ou com os castelhanos. Pagamos um pesado tributo de sofrimento e sangue para continuar deste lado da fronteira meridional do Brasil. Como pode você acusar-nos de espanholismo? Fomos desde os tempos coloniais até o fim do século um território cronicamente conflagrado. Em setenta e sete anos tivemos doze conflitos armados, contadas as revoluções. Vivíamos permanentemente em pé de guerra. Nossas mulheres raramente despiam o luto. Pense nas duras atividades da vida campeira – alçar, domar e marcar potros, conduzir tropas, sair para faina diária quebrando a geada nas madrugadas de inverno e você vai compreender por que a virilidade passou a ser a qualidade mais exigida e apreciada do gaúcho. Esse tipo de vida é responsável pelas tendências algo impetuosas que ficaram no inconsciente coletivo deste povo, e explica a nossa rudeza, a nossa às vezes desconcertante franqueza, o nosso hábito de falar alto, como quem grita ordens, dando não raro aos outros a impressão de que vivemos num permanente estado de cavalaria. A verdade, porém, é que nenhum dos heróis autênticos do Rio Grande que conheci, jamais “proseou”, jamais se gabou de qualquer ato de bravura seu. …”

Revolução – o último dia 15 marcou os 87 anos da assinatura do pacto de paz entre maragatos e chimangos, pondo fim à Revolução Assista. O documento ficou conhecido como Pacto de Pedras Altas, pois foi assinado nesta localidade, hoje município, porém na época pertencia a Dom Pedrito.

“A gente foge da solidão quando tem medo dos próprios pensamentos.” Érico Veríssimo