Gana Missioneira

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 Dia do Payador – na próxima segunda-feira, comemora-se no Rio Grande do Sul o Dia do Payador. A data foi instituída em homenagem a Jayme Caetano Braum, filho de D. Euclides Ramos Caetano e João Aloysio Thiesen Braun, nascido no dia 30 de janeiro de 1924 às 8:30 na fazenda Santa Catarina, de seu avô materno (Aníbal Caetano) na localidade da Timbaúva (Na época 3° Distrito de São Luiz Gonzaga) hoje município de Bossoroca.

Payador – o termo define o repentista que recita versos de improviso. Há uma semelhança entre Payador e Trovador, porém, a trova gaúcha tornou-se mais popular, ramificando em três estilos consagrados, que são: Trova Campeira (mi-maior de gavetão), Trova de Martelo e Trova Estilo Gildo de Freitas. Enquanto a trova é cantada com acompanhamento de uma gaita, a payada é recitada ao som de um violão, basicamente em ritmo de milonga.

Payada – não há um consenso para a origem etimológica da palavra payada, mas apenas hipóteses levantadas por pesquisadores. Alguns afirmam que a origem vem de ‘payo’, nome primitivo dos habitantes de Castilla, na Espanha. Outros alegam que a raiz está na denominação de ‘palla’, nome dado pelos Quíchuas aos grupos de índios que sentavam nas praças a cantar. Porém, apesar das incertezas quanto a origem do nome ‘payada’, sabe-se que seu principio está ligado aos romances e quadras medievais e renascentistas, com grande alcance popular. Esta forma de literatura oral foi trazida pelos povoadores espanhóis do território platino.

Mestre dos payadores – Jayme Caetano Braum é reconhecido por sua obra, que não se resumia apenas à vida material, ao dia-a-dia do peão, do tropeiro e da estancia. Sintetizava no panorama da literatura gaúcha como um dos mais expressivos poetas do nativismo.

Praça – a Prefeitura de São Luiz Gonzaga realizou as obras de terraplanagem no entorno do local onde está localizado o monumento ao payador missioneiro (trevo de acesso a São Luiz Gonzaga). A licitação para construção da Praça Jayme Caetano Braum também já foi concluída, cabendo agora a empresa Pedra Verde iniciar os trabalhos, que transformarão aquele local em um cartão de visita.

Missões x Arte – a região missioneira possuí diversos personagens ligados a arte, os quais através de seus trabalhos ‘cantam sua aldeia’ e por isso, tornam-se universais. Um destes personagens é o escultor Vinicius Ribeiro, da cidade de São Luiz Gonzaga. Criador de diversas obras, jamais foge a oportunidade de retratar os costumes e a história de sua terra. O monumento ao payador Jayme Caetano Braum, instalado no trevo de acesso a São Luiz Gonzaga é apenas mais um de seus trabalhos, sendo o mais recente, a versão missioneira para Têmis, a Deusa da Justiça, a qual pode ser conferida frente ao Fórum daquela cidade. Os trabalhos de Vinicius Ribeiro podem ser observados em seu blog: http://viniciusribeiroescultor.blogspot.com/

Comparações – encontramos na cultura sul-riograndense diversas expressões típicas usadas constantemente pela sociedade gaúcha, que definem um pensamento através de comparações bem humoradas e criativas. Eis algumas:
– “Não ser trigo limpo” – velhaco, trapaceiro, atrevido, perigoso e pessoa sem confiança.
– “Não valer um pito” – não ter valor algum, ser totalmente inútil.
– “Lombo de ser vergonha” – ordinário, safado, mau-caráter.
– “Lambe esporas” – indivíduo bajulador, leva-e-traz, adulão (na política tem de sobra…).
– “Estar no mato sem cachorro” – em grandes dificuldades, em apuros.

“….É por isso meu Patrício,
Que não mateio solito,
Embora o verde bendito,
Pra mim seja mais que vício.
É o meu último munício,
Que não dispenso, nem largo
E peço a Deus, sem embargo
Da ‘xucreza’ do meu canto
Que no céu me guarde um santo
Parceiro pra um mate amargo!” (Mateando – Jayme Caetano Braum)