Nelci Müller: “Acredito que a comunidade acolherá com carinho esta Feira do Livro”

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A patronesse da 3ª Feira do Livro fala sobre as expectativas sobre o evento que inicia hoje

Nascida em Santiago, a patronesse da 3º Feira do Livro de Santo Ângelo, a professora e escritora Nelci Müller, adotou a Capital das Missões como sua cidade em 1974. Aqui, criou suas três filhas: Tatiana, Polyana e Graziela. “Encontrei uma acolhedora recepção para minha docência em diversas escolas estaduais. Atualmente, atuo nos cursos de Letras, Ciência da Computação e Educação Física da URI”, relata.

A escritora, em 2009, “criou coragem” e publicou sua primeira obra, intitulada “O jogo das três Marias – contos infames”. Também já publicou obras acadêmicas como “O guarani e o jesuíta – romance e história”. “Colaboro com produções esparsas em Afluências, Acampamento de Poesia de Entre-Ijuís. Em 2007, juntamente com Gladis M. Pippi, organizamos a obra 300 Anos da Redução Jesuítica de Santo Ângelo Custódio”.

Nelci é líder do Grupo de Pesquisa “A Literatura e suas Relações Interculturais” e investiga diversos temas: “Os periódicos de Santo Ângelo (de 1918 a 1995)”; “O Menor em Situação de Risco na Literatura Brasileira”; “A Poética do Negro no Brasil”; “Lindeiro – o campo rasgado das Missões”; “As Etnias da Região das Missões”; “Silêncio e Resistência – o Indígena na América Latina”.

A seguir, confira uma entrevista exclusiva com a patronesse da 3ª Feira do Livro de Santo Ângelo, evento que inicia hoje:

Jornal das Missões – Como foi receber o convite para ser a patronesse desta edição da Feira do Livro?
NELCI MULLER – Construí minha vida profissional tendo como instrumento de trabalho o livro, sem esperar prêmios e homenagens que não fosse a formação de leitores no mais amplo sentido. Por essa razão, ao ser indicada pelo prefeito Eduardo Debacco Loureiro, acompanhado por uma Comissão, para ser a patronesse da Feira do Livro, fiquei surpresa e emocionada. Surpresa porque eu pensava se tratar de uma reunião de trabalho; emocionada, pois entre tantas pessoas qualificadas que poderiam ter sido agraciadas com o convite, coube a mim a responsabilidade de promover a divulgação cultural desta Feira. Sinto-me profundamente grata pela minha indicação e pela gentileza do convite, já que nesta edição estava implícita a homenagem às mulheres e a valorização de seu papel na construção social, cultural para a formação de uma sociedade mais justa e solidária. Por isso, compartilho com todas as mulheres, em sua luta cotidiana pelo bem-estar social, a homenagem recebida.

JM – Qual é a sua expectativa para o evento?
NM – Desde o início do século XX Santo Ângelo tem demonstrado e reforçado sua vocação cultural, por meio da circulação de diversos periódicos na cidade e na região. Posteriormente, pela criação de cinema, grupos de teatro, museus, bibliotecas, escolas, universidades, grupos musicais, bandas. Todas essas iniciativas contribuem para valorizar o conhecimento, a arte e a informação. Por essa razão, acredito que a comunidade acolherá com carinho esta Feira do Livro. Além disso, é uma oportunidade para a troca de informações sobre autores, obras e competência leitora, sendo ainda um recurso valioso para a inclusão social.

JM – Que escritores e livros você indica para quem circulará pela Feira do Livro?
NM – Os autores que mais aprecio são Clarice Lispector, Guimaraes Rosa, Fernando Pessoa, Mario Quintana, Cecília Meireles, Ariano Suassuna, Caio Fernando Abreu, José Saramago e Conceição Evaristo. Ultimamente dedico-me a leitura de obras da literatura africana de expressão portuguesa, como Mia Couto, Flávia Tavares e Ondjaki. Como a feira é um espaço democrático, acredito que haverá obras para todos os gostos e interesses.

 

PATRONESSE FALA SOBRE LEITURA E TECNOLOGIA

A patronesse da 3ª Feira do Livro de Santo Ângelo também abordou sobre a leitura, tecnologia e internet:

“Sabemos que hoje o livro impresso divide o interesse entre as crianças e jovens com os produtos da era digital, tais como jogos que, em grande número, apresentam uma apologia à violência, digitando apenas teclas e mais teclas. A tecnologia aí está, e faz parte da evolução, seduz um número cada vez maior de usuários e não podemos menosprezar a sua dinâmica e seus atrativos, inclusive, eu sou aprendiz no uso destas ferramentas. Entretanto, como bem se expressou Bill Gates: “Meus filhos terão computadores, sim, mas antes, terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever, inclusive a sua própria história”. Devemos ter cuidado com o uso que crianças e jovens fazem da internet e não só por razões apontadas pela neurociência. Gates deve ter compreendido que o livro e, por sua vez, a literatura, proporcionam à criança um desenvolvimento emocional, social e cognitivo, o qual colabora ainda para a aquisição de uma postura crítico-reflexiva”, analisa.