Prefeito Andres garante que não irá fundir Secretaria de Cultura com outra pasta

0
129

Entidades entregaram documento demonstrando preocupação sobre medida cogitada

A possibilidade de fechamento ou fusão da Secretaria Municipal de Cultura de Santo Ângelo mobilizou um grande número de pessoas nas redes sociais, nas últimas semanas. Nesta sexta-feira (11), uma comissão formada por representantes da Academia Santo-Angelense de Letras (Asle), Movimento Pró-Memória de Santo Ângelo, ONG Defender e grupos como Cia Sarx de Teatro e Dança e o curso de Arquitetura da URI, entregou documento levantando uma série de preocupações sobre a questão.

O vice-presidente da Asle, Paulo Prado, ressaltou que é preciso avaliar com cuidado essa medida, tendo em vista a importância da Secretaria de Cultura. Também lembrou os avanços promovidos no setor como a criação do Sistema Municipal de Cultura, o Conselho Municipal de Cultura e o Cadastro Cultural.

A escritora e jornalista, Edna Lautert, por sua vez, mostrou preocupação com os possíveis prejuízos ao setor cultural diante da extinção ou até mesmo fusão de secretarias. “Não podemos retroceder, mas sim avançar, desenvolvendo um plano cultural que contemple as mais diferentes formas de manifestações artísticas de nossa cidade”, frisou.

No encontro, Andres negou que, em momento algum, afirmou algo sobre a extinção ou fusão da Secretaria de Cultura com outra pasta, conforme vem sendo repercutido na imprensa e nas redes sociais. “Seria uma contradição de minha parte adotar esse procedimento. Foi na minha administração que se criou o Centro de Cultura. Posso garantir que não vou fechar e muito menos fundir a secretaria. Pelo contrário, quero ampliar a abrangência da Cultura com novos serviços”, tranquilizou.

Andres disse que a ideia é fazer uma reforma administrativa, modificando hierarquias dentro das secretarias e departamentos, citando como exemplo a incorporação do Museu Dr. José Olavo Machado, que hoje faz parte da Secretaria do Turismo, à Secretaria de Cultura.

CANTO MISSIONEIRO

Durante a reunião, o escritor Renato Schorr revelou sua preocupação com a não definição do nome de quem irá presidir o Canto Missioneiro da Música Nativa. Schorr alertou o curto tempo para organização do evento nativista, realizado no final do mês de março.

O prefeito Andres revelou que a definição do nome do presidente do Canto Missioneiro acontecerá até o dia 20 de janeiro. Segundo o chefe do Executivo, a administração municipal já está buscando patrocínio para o festival.

NOVOS SECRETÁRIOS

Em relação às secretarias de Cultura, Assistência Social e Planejamento o prefeito Valdir Andres disse que está sendo feito um estudo para reforma administrativa e enquanto não se definir essa questão não será feito anúncio de nomes. O prefeito reafirmou, ainda, que o governo municipal pretende criar a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento, assim como a Secretaria de Trânsito e a Secretaria de Meio Ambiente.

Durante recente entrevista à Rádio Santo Ângelo, o novo gestor já havia declarado essa meta, inclusive, levantou a hipótese de fusão das secretarias de Turismo e Cultura.

 

Ex-secretário Leoveral Soares diz que medida provocaria um retrocesso na área cultural

As recentes declarações do prefeito Valdir Andres em extinguir ou promover a fusão da Secretaria de Cultura com outra pasta repercutiu negativamente junto à comunidade, principalmente no meio artístico e nas entidades que atuam nesta área. Em entrevista ao Programa Rádio Visão, na Rádio Santo Ângelo, na sexta-feira (11), o ex-secretário da Cultura, Leoveral Golzer Soares, lamentou a atitude do novo prefeito.

Segundo Leoveral, um gestor público antes de extinguir ou mexer em qualquer pasta ao menos deveria tomar conhecimento da sua realidade. Para o ex-secretário, o pressuposto básico de um gestor é manter as ações positivas do administrador anterior, buscando apenas o aperfeiçoamento deste trabalho.

“No Brasil, quando há um corte de gastos, a primeira área afetada é a cultura. Os gestores públicos, infelizmente, veem a cultura como despesa, não um investimento. Essa visão é desfocada da realidade. A cultura representa, hoje, 7% da economia do país”, observa Leoveral.

Em seu entendimento, eventos como o Canto Missioneiro da Música Nativa, a Feira do Livro, o Santo Ângelo em Dança, Natal Cidade dos Anjos, Espetáculo Ângelus, o Festival Canta e Encanta, entre outros projetos, não podem ficar à mercê desta decisão.

SISTEMA MUNICIPAL DE CULTURA

O ex-secretário Leoveral Soares explica que desde 2007, a Secretaria foi estruturada, com a participação ativa dos movimentos culturais. “Criamos o Sistema Municipal de Cultura, o Conselho Municipal de Cultura, o Cadastro Cultural e o Plano Municipal de Cultura – que deixamos na fase de debates e elaboração. Acabar ou fundir a Secretaria de Cultura com outra pasta é retroceder no tempo”, frisa.

A grande preocupação de Leoveral é a operacionalização do Fundo Municipal de Cultura diante do cenário de dúvida que há pela frente. “Não podemos abrir mão de todas as conquistas alcançadas nos últimos anos, como a adesão de Santo Ângelo ao Sistema Nacional de Cultura, que vai entrar em funcionamento esse ano. Pelo sistema será possível o repasse de recursos do Fundo Nacional de Cultura para o fundo criado no município. Quem perde com a medida é a nossa cidade e os nossos artistas locais”, frisa.

 

Presidente do Movimento Pró-Memória afirma que Santo Ângelo não pode ficar sem Secretaria de Cultura

Como cidade histórico-cultural, Santo Ângelo corre o risco de entrar na contramão dos grandes centros que possuem uma Secretaria de Cultura completamente estruturada. Essa é a declaração da presidente do Movimento Pró-Memória Santo Ângelo, Maria Izabel Cattani, à reportagem do Jornal das Missões. “Vejo com preocupação as declarações que estão sendo evidenciadas na imprensa em relação à extinção ou fusão da Secretaria de Cultura com outra pasta. O turismo é uma das vocações da cidade cujo desenvolvimento também passa pela cultura”, declara.

A presidente acredita que o foco de discussão da nova administração está equivocado. “Ao invés de discutirmos a extinção ou fusão da Secretaria de Cultura, deveríamos na verdade debater o aprimoramento da sua estruturação para avançar. O desenvolvimento do turismo local passa pela cultura e não a cultura passa pelo turismo. Por isso é importante a secretaria ter sua estrutura própria”, ressalta.

“Temos que seguir exemplos das grandes capitais turísticas do mundo, de nosso país e até mesmo de nosso Estado”, observa. Maria Izabel lembra o caso de Gramado, que utilizou elementos da cultura alemã e da religiosidade para alavancar o turismo daquela cidade.