Relato dos Jesuítas sobre a Guerra Guaranítica se torna livro

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Autor José Roberto afirma que uma das razões para a obra é a prova específica da existência e da luta de Sepé Tiaraju. Foto: Divulgação

Nesta semana foi lançado ao mercado editorial pela Editora Martins Livreiro de Porto Alegre o Livro “Relatório da Guerra Guaranítica (154 – 1756) Escrito pelos Jesuítas”. A obra é do missioneiro José Roberto de Oliveira, que traduz o relato ao português e comenta as principais passagens daquele período.

José Roberto diz que quando se descobriu o texto do responsável em nome dos jesuítas daquele período, padre Tadeo Xavier Henis, pároco da Redução de São Lourenço, fez repensar sobre os textos lidos de base portuguesa e espanhola, portugueses e espanhóis inimigos dos povos Guarani daqueles e naqueles anos. “Nós os missioneiros sempre desconfiávamos muito de como os responsáveis pelos exércitos inimigos – portugueses e espanhóis – teriam visto as ações bélicas da gente guarani e jesuítica vivendo nas plagas missioneiras de então. A manifestação do Diário ora em foco mostra uma visão bem diferente da visão tradicional e conta fatos importantíssimos, obviamente em uma visão diferente, ou seja, numa visão amiga dos nativos e vencidos e em favor deles”.

De acordo com o autor, o escrito original (1754 a 1756), encontrado na escrivaninha de Henis, era em latim. Em 1836, Pedro de Angelis passou à língua espanhola. “Dois grandes motivos levaram a esta edição. O primeiro é a prova específica da existência e da luta de Sepé Tiaraju, Capitão da Redução Jesuítico-Guarani de São Miguel Arcanjo, defendendo o território e a sua religiosidade cristã. Hoje, por causa desses e de outros feitos, tornou-se Herói Missioneiro, Gaúcho e Rio-Grandense, e também Herói da Pátria Brasileira. E mais, nos dias que correm, ele está com um processo de canonização tramitando no Vaticano, reconhecido desde 2017 como “Servo de Deus”. As provas do martírio ficam bem claras no relato, tanto quando os vencedores põem fogo no corpo de Sepé, quanto nos fatos e comentários sobre a decapitação dele, com alguns detalhes mais”.

A segunda motivação, segundo ele, é a de conhecimento maior do próprio jeito de ser do povo missioneiro atual, pois nele há descendentes, em sua grande parte, dos índios daquele tempo, não todos na genética, mas em muito nas divisões internas que os fazem tão separados.

“A Guerra Guaranítica, por mais cruenta e desigual que tenha sido, não matou mais que três mil pessoas das Missões. Onde estão os nativos daquela época se não foram mortos nas lutas? Depois da guerra, da expulsão guarani do território missioneiro em 1756, do retorno dos guaranis em 1761 e a expulsão definitiva dos jesuítas destas terras em 1767-8, os nativos, alguns já profissionais da pecuária como peões, músicos, escultores, pintores, marceneiros, pedreiros, fundidores e outros em muitas outras profissões aprendidas nos tempos reducionais, não voltaram a ser os índios na acepção principal da palavra, mas aos poucos foram inserindo-se na geografia econômica da ampla região, cada um dentro da própria especialidade”, afirma.

José Roberto diz ainda que a informação que está nos comentários é que os atuais indígenas Mbyá-Guarani nunca foram cristianizados. Foram cristianizados, os do subgrupo guarani, Chiripá.

ONDE ENCONTRAR – O livro pode ser obtido junto ao autor, pelo telefone/WhatsApp (55) 99638-6360 ou nas livrarias da região.

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