Secretário Marcos Mattos: “Em momento algum cogitamos a possibilidade de cancelamento ou transferência de data do carnaval”

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Um amplo debate toma conta da cidade a respeito da realização ou não do Carnaval de Rua de Santo Ângelo, devido à morte de cinco jovens santo-angelenses, em incêndio na boate Kiss de Santa Maria, no dia 27 de janeiro. Há vozes solicitando o cancelamento do evento, outras pedindo a transferência da data e aqueles que defendem a permanência da atividade no dia 23 de fevereiro.

O debate iniciado nas redes sociais e depois no rádio refletiu na Câmara de Vereadores, quando 13 edis encaminharam requerimento sugerindo ao prefeito Valdir Andres o cancelamento ou transferência do evento para outra data num gesto solidário às famílias das vítimas de Santo Ângelo. Após discussão sobre o assunto e a pressão de representantes de entidades carnavalescas, os vereadores acabaram retirando da pauta o pedido. O requerimento foi assinado pelos vereadores Arlindo Diel, Zilá Andres, Paulo Azeredo, Everaldo Oliveira, André Marques, Jacques Barbosa, Jacqueline Possebom, Lauri Juliani, Nader Hasssan, Pedro Waszkiewicz, Diomar Formenton, Gilberto Corazza e Zé Martins.

O secretário de Turismo, Marcos Mattos, questiona o superdimensionamento que deram ao fato e lamenta a atitude dos vereadores e de pessoas que tentam obter proveito político com a situação. “Respeitamos a dor dos familiares, mas não podemos admitir que alguns, que não gostam de carnaval, seja por motivo religioso ou outro fator qualquer, venham se utilizar da tragédia para tentar prejudicar o carnaval”, frisa.

Redes sociais

Para o secretário Marcos Mattos, as vozes contrárias são poucas e se manifestaram principalmente nas redes sociais. “Temos reuniões periódicas para tratar da festividade. Em momento algum cogitamos a possibilidade de cancelamento ou transferência de data do carnaval. Nunca esteve na nossa pauta”, revela.

Mattos diz ainda que a Secretaria de Turismo trabalha a pleno vapor, nestas duas semanas que restam para a realização da festa popular. Segundo ele, as escolas estão mobilizadas e o poder público prossegue na busca de recursos para a efetivação de um grande carnaval.

Comunidade se manifesta sobre o Carnaval

Durante o programa Roda Viva da terça-feira (5), na Rádio Santo Ângelo, ouvintes e lideranças da comunidade se manifestaram sobre a promoção ou não do Carnaval de Rua, no dia 23 de fevereiro. O ex-presidente da Escola de Samba Unidos da Zona Sul, Adair dos Santos, disse que se estivesse no comando da Zona Sul teria pedido uma convocação de reunião para o cancelamento do Carnaval de Rua. “Foram cinco jovens da comunidade, vítimas do incêndio. Conhecia grande parte deles, inclusive familiares que são meus clientes no ponto de táxi. Parabenizo a vereadora Zilá Andres pela atitude em assinar o requerimento e lamento a postura do secretário de Turismo, Marcos Mattos. Onde já se viu o secretário dizer que tem gente tentando se promover em cima dessa situação”, enfatizou.

Já o vereador Vinicius Makvitz (PMDB) explicou ser contra o cancelamento do Carnaval de Rua, mas favorável em discutir a transferência de data do evento. “Não assinei o requerimento por entender que a decisão não cabe aos vereadores, mas sim ao prefeito Valdir Andres. Também acho que não se pode cancelar a festividade. Reconheço o momento difícil das famílias das vítimas, mas também penso nas pessoas que dependem do carnaval, como as costureiras, os profissionais que confeccionam as fantasias e montam os carros alegóricos”, frisou.