Trapezista do Cirque du Soleil ensina novas técnicas ao elenco da Cia Burzum

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Raquel Karro esteve com o namorado Thierry Trémouroux no Centro de Treinamento da trupe

A trapezista do Cirque du Soleil, a gaúcha Raquel Karro Oliveira, esteve em Santo Ângelo na terça-feira (27), para ministrar oficina de artes circenses para o elenco da Cia Burzum. Ela veio do Rio de Janeiro, onde o Cirque Du Soleil está instalado no Brasil, acompanhada do seu namorado Thierry Trémouroux, que é ator belga e trabalha como diretor de teatro e cinema e interpreta o palhaço Clown. Trémouroux também ministrou oficina de palhaço.

Segundo o diretor da Cia Burzum, Jairo Júnior, a parceria com os artistas serviu para aprimorar as técnicas de circo utilizadas pela trupe santo-angelense. “Só em dezembro, fizemos 15 apresentações. Estamos cada vez mais crescendo, então achamos importante aperfeiçoar os nossos conhecimentos na arte do circo com quem realmente entende”, afirmou.

A reportagem do JM aproveitou a visita do casal em Santo Ângelo para falar sobre a carreira dos artistas.

JORNAL DAS MISSÕES – Como você conseguiu entrar no Soleil?

RAQUEL KARRO – Eu estudei dança e teatro desde pequena. Lá em Itaqui, minha terra natal, eu fazia aulas de balé e jazz além de todos os cursinhos de teatro que apareciam. Em 1995 eu me mudei para o Rio de Janeiro, lá eu estudei na Faculdade de Teatro e na Escola Nacional de Circo, onde me formei em 1998. Durante o período da Escola Nacional de Circo eu entrei para o elenco da Intrépida Trupe, uma companhia em que mistura circo, teatro e dança. Fiquei lá durante quatro anos. Em 2000 eu fiz uma audição para o Cirque du Soleil e passei. Tudo isso para dizer que existe muito circo no Brasil, escolas, trupes, circos tradicionais… Trabalhei muito antes de ser selecionada e continuo trabalhando bastante hoje depois de ter voltado. O mundo do circo é amplo e não se resume no Soleil.

 

JM – Qual é a sua rotina no circo?

RAQUEL – Hoje em dia, eu mais coreografo, dirijo números aéreos, além de ministrar oficinas. Mas quando eu treino são no mínimo duas horas diárias no tecido ou no trapézio e também aulas de dança, pilates, yoga.

 

JM – O que dizer para quem sonha em trabalhar no Soleil?

RAQUEL – Minha dica para quem quer trabalhar com circo em geral, é estudar muito. Técnicas de dança, circo e também teatro, para construir um artista plural. Outra coisa importantíssima, é estar atualizada em relação aos editais e programas de intercâmbio. A Escola Nacional de Circo oferece bolsas com auxilio financeiro todo o ano, se não me engano. E a Funarte, que é um órgão federal, também oferece prêmios para circo.

 

Confira a entrevista com o ator Thierry Trémouroux.

JM – Quando você iniciou a trabalhar como palhaço?

THIERRY – Aos 20 anos, quando deixei a minha cidade natal, na Bélgica, para morar em Paris. Eu comecei a trabalhar com um diretor da Commedia Dell’arte, que foi meu primeiro contato com o universo cômico. Depois o “Novo Circo”, que ganhava cada vez mais espaço na Europa, me proporcionou novos encantos e a criação de números.

JM – O que é Clown?

THIERRY – O Clown é um alter-ego, o outro eu, cada um de nós, artista desavergonhado, tão perto do lixo quanto da eternidade, aquele que torna visível e invisível.