Osmar Terra alerta possível saída da fábrica da John Deere do RS

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A unidade da John Deere em Horizontina, fábrica de tratores, colheitadeiras e máquinas agrícolas, demitiu 40 trabalhadores no dia 3 de abril, agravando o problema social na cidade e região Noroeste do Estado.

No ano passado, outros 300 funcionários foram dispensados, por causa da falta de mercado para seus produtos.

A diretoria da empresa justificou que a redução visa ajustar a força de trabalho aos ciclos de produção do mercado.

Ao participar hoje do programa Rádio Visão, o deputado federal Osmar Terra lamentou a decisão e demonstrou muita preocupação. Conforme o parlamentar, a empresa sofre uma pressão absurda de bloqueio de seus produtos na Argentina, bem como a transferência de suas fábricas do Rio Grande do Sul para o outro lado da fronteira.

Terra disse que isto já acontece com a unidade de no município de Granadero Baigorria, província de Santa Fé, onde na semana passada houve um encontro de 200 empresários argentinos com o propósito de desenvolver uma rede de fornecedores locais para a produção de sete modelos de tratores e quatro colheitadeiras.
O investimento chega a 120 milhões de dólares, com o objetivo de produzir 25 mil tratores por ano.

A edição de 28 de março de março do jornal Página 12, de Buenos Aires, noticia o evento de Granadero Baigorria e acrescenta que os empresários avaliam “com que elementos podem contribuir com a John Deere em suplantar sua nova fábrica, substituindo importações, um objetivo apoiado pelo governo de Cristina Kirschner”.

O deputado Osmar Terra comentou durante a entrevista ao radialista Paulo Renato Ziembowicz, que o quadro é agravado pela retenção, durante nove meses, de 600 tratores e colheitadeiras da indústria John Deere, de Horizontina, na aduana argentina.

O parlamentar chegou até a enumerar alguns fatos que provam que a John Deere está de saída de Horizontina.

O primeiro é que a diretoria da empresa, que residia na cidade, mudou-se para Porto Alegre e será transferida para São Paulo. O segundo que a fábrica de tratores de Horizontina foi fechada e transferida para Montenegro.

O terceiro é que a fábrica de colheitadeira reduz drasticamente sua produção e deve ser levada, a curto prazo, para a Argentina.
Segundo Osmar Terra, quem conhece rudimentos de economia sabe que uma multinacional não vai instalar duas unidades semelhantes perto de outra.

O deputado foi claro durante a entrevista a Rádio Santo Ângelo, dizendo que a fábrica da John Deere, que está de saída de Horizontina.

Ele aproveitou para criticar a política do governo federal “que permite que a Argentina pressione e ganhe uma planta industrial da John Deere”.

Observou que a fábrica a ser ampliada está distante cerca de mil quilômetros de Horizontina. “Isso prova que o investimento cede às pressões do governo argentino, afetando diretamente os interesses brasileiros nesse mercado”.

Fica cada vez mais claro, afirmou Terra, que o mercado argentino não importará mais máquinas da fábrica de Horizontina para montar as máquinas por lá.

“Os argentinos já se organizaram para ter seus próprios fornecedores. E isto também demonstra que eles não querem saber de equipamentos brasileiros para montar as máquinas lá”, comentou o deputado.

Terra acusa o governo brasileiro de passividade diante das ações do país vizinho e propõe uma mobilização dos setores produtivos e parlamentares gaúchos para exigir providências.

Na sua opinião, o governo brasileiro tem poder de retaliação e condições de impor uma mudança deste comportamento da Argentina, e o Rio Grande e o Brasil esperam uma atitude muito enérgica do Governo brasileiro diante dos desmandos argentinos.