PIB de Santo Ângelo cresceu 61,44% em cinco anos

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Números divulgados pela FEE apontam crescimento superior ao de outras cidades polo da região

 O Produto Interno Bruto (PIB) de Santo Ângelo teve um crescimento de 61,44% de 2004 a 2009, conforme dados da Fundação de Economia e Estatística (FEE) divulgados neste mês. Mesmo com uma leve queda entre 2008 e 2009, quando houve uma forte crise econômica mundial, o crescimento nos cinco anos é superior ao de outros municípios polo da região e do Estado, como Santa Rosa, Ijuí, Passo Fundo, Santa Maria e a capital Porto Alegre, bem como o Rio Grande do Sul como um todo.

Ainda não estão incluídos nessa relação os recentes e vultuosos investimentos feitos na cidade, como a nova fábrica da Fundimisa e os investimentos do frigorífico Alibem (mais de R$ 80 milhões em cada).

Os dados refletem o bom momento que vive a economia local, o que resulta, também, em uma geração recorde de empregos. De janeiro de 2005 a outubro de 2011, o saldo de geração de empregos em Santo Ângelo (admissões menos desligamentos) foi de 4.305, conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego.

Conforme o secretário municipal de Indústria e Comércio, João Baptista Santos da Silva, um dos destaques do crescimento do PIB é o investimento de R$ 400 milhões pela iniciativa privada na cidade, entre janeiro de 2005 e novembro de 2011, através da criação e ampliação de empresas e indústrias.

Entre os destaques em investimentos, estão a ampliação da Fundimisa, do Frigorífico Alibem, da Oceano Bike (matéria no JM na última semana destaca que a empresa vendeu 100 mil bicicletas neste ano), do Frigorífico Callegaro, do Hospital da Unimed, e da Vonpar Refrescos. Além desses, há dezenas de negócios menores, com destaque para os recentes investimentos anunciados nos parques industriais da Suplan e da Artlux.

INCENTIVOS PÚBLICOS

Baptista destaca que esse crescimento da economia de Santo Ângelo foi possível após a decisão da Administração Municipal de dotar o município de uma legislação forte, eficiente, moderna e prática, através a Lei 3.194 de 12 de agosto de 2008, que dispõe sobre a política de incentivos a empresas industriais, comerciais, agroindustriais e de prestação de serviços.

“Essa lei permite conceder incentivos tributários e não tributários, tanto a novos empreendimentos como aos que pretendem expandir suas atividades. No rol de incentivos, estão isenções do IPTU, ISSQN, ITBI e taxas, além de serviços de terraplanagem, apoios técnicos e outros, bem como pagamento de aluguel, qualificação de mão-de-obra e até mesmo cessão de bens”, destaca João Baptista.

 

Uma nova empresa por dia

Uma análise da Secretaria de Indústria e Comércio de Santo Ângelo sobre os resultados da atual administração nestes 7 anos, até novembro, mostrou que foram abertas 1.527 novas empresas de todos os tamanhos, desde micros a empreendimentos de porte. “Isso equivale a termos o nascimento de uma nova empresa em cada dia útil do período, conforme dados oriundos da Junta Comercial”, afirma o secretário João Baptista Santos da Silva.

 

Bruno Krug, presidente da Acisa: “As empresas têm que estar sempre em busca de novos mercados”

Para o presidente da Acisa, Bruno Krug, é preciso comemorar o bom momento que a economia vive, principalmente se analisar o contexto global, onde outros países enfrentam sérios problemas. “Santo Ângelo, o Rio Grande do Sul e o Brasil tiveram crescimento positivo nos últimos anos, e no próximo será assim também. Mas nesses momentos o empresário tem que planejar, as empresas têm que estar sempre em busca de novos mercados, para fazer uma reserva, pois pode sempre ocorrer um cenário ruim”, orienta Bruno.
No caso de Santo Ângelo, o dirigente empresarial ressalta que há sempre a necessidade de que os setores público e privado trabalhem juntos, pensando no melhor para a região, como já está sendo feito. “Temos que pensar junto com os outros municípios no que podemos ganhar juntos”, afirma ele, destacando que os políticos locais precisam trabalhar não pelo seu partido, mas pensando no desenvolvimento. “Se não for assim, todos perdem”, completa.

 

Maurílio Tiecker, presidente do Corede Missões: “Temos um potencial muito grande na região”

O presidente do Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede Missões), Maurílio Miguel Tiecker, é confiante na capacidade da região de se desenvolver, porém afirma que é necessária uma maior atenção dos governantes de fora. “Temos um potencial muito grande. Apesar de termos um bom desenvolvimento, ainda não é tão grande como outras regiões que recebem incentivos do Governo”, destaca ele.

Tiecker elenca alguns fatores determinantes para o desenvolvimento da região, como as boas safras, o crescimento da área tecnológica e o fato de empresários da região e de fora apostarem nas Missões para investir. “Estamos buscando a instalação de um parque tecnológico, buscamos recursos pela Consulta Popular, a fim de trazer alternativas para que o jovem fique aqui na região.”

Ele ainda destaca que o fato de Santo Ângelo ser um polo da educação e da saúde contribui para o crescimento da economia. “Para dar um exemplo, é só ver a região em volta da URI no período de férias: vira um deserto. Durante o ano letivo, há professores, funcionários e alunos que movimentam a economia, moram na cidade, e esse dinheiro fica aqui. E o jovem tem uma opção boa de formação, com cursos voltados para o empreendedorismo. É importante que Santo Ângelo puxe o desenvolvimento da região”, afirma, destacando que tudo isso está também associado às empresas que se instalam na cidade.

Por fim, Maurílio Tiecker dá um recado de final de ano: “Esperamos que em 2012 continuemos nesse desenvolvimento, pois a nossa luta é para isso. E queremos que os governantes olhem mais para a nossa região, para continuar desenvolvendo”.

 

Prefeito Eduardo: “Articulação entre poder público e iniciativa privada tem feito a diferença”

O prefeito Eduardo Loureiro, ao analisar o crescimento do PIB no município, fala das ações determinantes para esse aumento. “O crescimento vigoroso da economia de Santo Ângelo se deve a um conjunto de fatores, especialmente à articulação entre o poder público, entidades e iniciativa privada, que tem feito a diferença. A administração municipal vem desenvolvendo ações que tem criado as condições necessárias, através de grandes investimentos em infraestrutura, bem como oferecendo apoio ao setor produtivo, para que os investimentos possam acontecer. O resultado disso é a geração de riqueza e de empregos”, destaca.