Sondagem indica que situação difícil na indústria do RS deve se manter no primeiro semestre

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Queda na produção, aumento da capacidade ociosa e elevação dos estoques são as principais preocupações apontadas na última sondagem industrial, realizada pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), entre 1º e 18 de janeiro, com 154 empresas de pequeno, médio e grande portes no Estado. A avaliação, relativa ao mês de dezembro de 2011, demonstra que o setor encerrou o ano em uma situação difícil e indica poucas mudanças nesse cenário, pelo menos no primeiro semestre de 2012. “A combinação de estoques indesejados e demanda fraca sugere uma atividade produtiva baixa no início do ano”, observou o presidente da Fiergs, Heitor José Müller, nesta quarta-feira (22).

Embora a sondagem realizada em janeiro revele que os empresários recuperaram parte do otimismo, o resultado ainda está em um patamar bem inferior ao registrado no início dos últimos dois anos. O indicador de volume de produção alcançou 41 pontos, o que significa que este item caiu em dezembro na relação com novembro, em uma variação que vai de 0 a 100 pontos. “Continuamos sendo penalizados pela alta carga tributária, o elevado custo da matéria-prima e do capital de giro, além da taxa cambial, do preço da energia, encargos sobre salários, entre outros pontos”, alertou o presidente da Fiergs.

A utilização da capacidade instalada, com 44 pontos, foi considerada abaixo da usual, com um grau médio de 72,7% (havia sido 75,7% em novembro), o que revela forte ociosidade no parque industrial gaúcho. Em relação à evolução do emprego, o resultado entre os consultados também deu negativo, e chegou a 45 pontos. Estoques de produtos finais acima do planejado (55 pontos), margens de lucro operacional (46), situação financeira das empresas (50) e acesso ao crédito (46) também tiveram avaliação ruim.

Na opinião dos empresários gaúchos, a falta de demanda se disseminou e avançou à terceira posição (29,2%) entre os principais problemas detectados no último trimestre de 2011, ranking liderado pela elevada carga tributária (61,7%) e a competição acirrada (44,8%).

Mesmo naqueles pontos nos quais a sondagem industrial é positiva, ela sugere um otimismo moderado. É o caso da demanda, que alcançou 51,6 pontos, bem abaixo do observado em janeiro de 2010 (63,8 pontos) e 2011 (58,8). Seguiram no mesmo padrão as exportações (52 pontos), o emprego (51) e as compras de matérias-primas (51).