À procura da velocidade

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Com histórias e categorias diferentes, a paixão de dois empresários pelo automobilismo

Ambos têm uma longa paixão pelo automobilismo. Ambos são empresários em Santo Ângelo. Um entrou de forma mais intensa neste universo do automobilismo – ou, para ficar mais claro, de forma mais prática – por volta de 1980, quando, daquele ano até 1985, aproximadamente, disputou competições de arrancadas com um Passat. Outro, embora também alimente uma paixão de décadas pela velocidade, veio a ter uma maior intensidade com esta paixão a partir de 2003, ano em que comprou um kart usado e começou a treinar em Cruz Alta, no kartódromo Olhos D’Água.

Hoje, aquele que adquiriu um kart em 2003 – depois de assistir a corridas em Cruz Alta e ver seu interesse despertar – não o usa mais e mergulhou no mundo das corridas com carros de turismo. Já aquele que corria com um Passat entre 1980 e 1985, e depois parou, deixou que o desejo de voltar despertasse no ano passado e, agora, espera com ansiedade a “conclusão” do Fusca ano 1969 que comprou em abril de 2013. Será a volta, em grande estilo, às competições de arrancadas.

INÍCIO NO KART
Luiz Carlos Reis do Prado, 55 anos, proprietário da Prado Materiais de Construção, localizada na Avenida Getúlio Vargas, conta que as primeiras leituras pelas quais se interessou foram na década de 70, de revistas que faziam a cobertura de corridas. Também, quando viajava de caminhão, a trabalho, e precisava passar o fim de semana em alguma cidade que tinha autódromo, sempre ia assistir a corridas. “Eu sonhava, ali próximo ao alambrado, pilotar um carro de corrida numa competição oficial”, relata.

O empresário conta que participou do campeonato regional Speed Kart em 2004, 2005 e 2006, na categoria Parilla 125 – a parte mecânica era cuidadosamente trabalhada por Luiz e por seu irmão Antônio –, com as provas sendo disputadas em Cruz Alta, Passo Fundo e Guaporé. Havia oito etapas por ano – o empresário treinava, em média, três vezes por mês.

No ano de 2004, Luiz se sagrou campeão do Speed Kart, obtendo duas vitórias e terminando duas corridas em 2º lugar, uma em 3º, duas em 4º e uma em 5º. “O que contribuiu muito para a conquista do título foi a regularidade. Não enfrentei problemas mecânicos e, assim, consegui terminar todas as corridas”, analisa. Já em 2005, o empresário liderava o campeonato quando, em uma das etapas, numa curva, um outro piloto tocou a lateral do kart de Luiz. O veículo “decolou” e deu dois giros. Embora o empresário não tenha sofrido lesões graves com o acidente, ficou de fora das duas corridas seguintes e acabou o campeonato em 4º lugar.

A BORDO DE CARROS DE TURISMO
Entre 2007 e 2008, com outros tipos de carro de corrida, desta vez alugados nos locais, Luiz fez poucas provas por ano e passou a maior parte do período apenas treinando, “por diversão”, como diz. Já o ano de 2009 foi fundamental no processo de imersão do empresário no mundo das corridas: foi naquele ano que ele fez um curso da Escola Gaúcha de Pilotos, em Porto Alegre, e a obtenção de carteira foi fundamental para entrar na categoria em que disputa corridas até hoje.

Mas, primeiramente, em 2010, Luiz disputou um campeonato correndo com o Veloce, protótipo padronizado criado pelo Velopark, de Nova Santa Rita, para estimular em iniciantes o gosto pelo automobilismo por meio de competições em que todos os participantes usam o mesmo tipo de carro. Passou 2011 treinando no autódromo de Tarumã, em Viamão, em média uma vez por mês, com um carro que participou do Campeonato Gaúcho de Marcas & Pilotos, organizado pela Federação Gaúcha de Automobilismo – a competição é disputada com carros de turismo. “São motores que rendem em torno de 160 HP, com suspensão trabalhada, o que torna os carros velozes, tanto em retas quanto nos contornos de curvas. Mas o sistema de freio e embreagem e os pneus de carro de rua são mantidos, para evitar que o custo se torne proibitivo para pilotos com menor poder econômico”, explica o piloto.

PATROCÍNIO
Desde 2012, é o Campeonato Gaúcho de Marcas & Pilotos que Luiz disputa, em categoria que envolve pilotos iniciantes, com poucos anos de presença em competições. Sem carro próprio para as disputas, ele aluga veículos de equipes. Em 2012, pela Tuta Racing, de Porto Alegre, correu com um Celta – conseguiu um 4º lugar no autódromo de Guaporé e um 5º no Velopark, sob chuva intensa. Em 2013, também com um Celta, competiu pela Autotech, de Esteio.

Em nenhuma das edições do Campeonato Gaúcho de Marcas & Pilotos de que participou Luiz conseguiu disputar todas as corridas, em função dos altos custos – embora, quanto mais patrocinadores a equipe tiver, menor é o custo do aluguel para correr. Neste ano, das sete etapas previstas – três no autódromo de Tarumã, duas em Guaporé, uma em Santa Cruz do Sul e outra em Rivera, no Uruguai –, Luiz tem planos de disputar quatro. A primeira, a qual ele correu, foi em Guaporé, no final de março. “Tive um rendimento aquém do desejado, tive problemas, mas foi possível completar as duas baterias.”

Para ter condições de representar Santo Ângelo em todas as etapas deste ano, Luiz precisa de patrocínio. “Meu orçamento me possibilita uma participação parcial. Se conseguir patrocínio, poderei participar de todo o campeonato. O automobilismo é uma ótima vitrine para empresas que têm a atividade econômica voltada para diversos ramos de negócio”, expõe ele, que, além da paixão, considera que aliar trabalho e esporte traz grandes benefícios. “Meu foco é a loja de materiais de construção, é lá que dedico todo o meu esforço, tempo e concentração. As corridas são uma forma de lazer, uma terapia que faço com muito prazer. Elas são importantes e trazem reflexos, inclusive, na minha atividade profissional, vindo a resultar em qualidade de vida”, finaliza.

À ESPERA DO CARRO HOJE DESMONTADO
Francisco Carlos Barella está ansioso por poder sentar no banco – recém-adquirido, especial para carros de corrida – do motorista do Fusca ano 1969 que comprou no ano passado, em abril. Será com o carro, totalmente reformulado para a prática de corridas de arrancadas – e que ficará com cor preta –, que ele vai voltar às disputas, décadas depois de correr com um Passat nos anos 80. “No começo, comprei o Fusca apenas para, depois de mexer nele, participar de exposições de veículos antigos. Mas, depois de todo esse tempo, a vontade de disputar e correr mexeu comigo de novo”, explica o empresário, que atua comercialmente na Extintores Barella, na Rua Marechal Floriano.

O empresário, nas competições de arrancada, correrá na categoria Super Street Tração Traseira, das quais, além do Fusca, participam veículos como Opala, Chevette e Brasília. Enquanto o Fusca, desmontado, passa por chapeamento e pintura, o motor, que será de alta performance, está sendo preparado pelo mecânico Ademir Antônio Giordani, na oficina dele, na Rua Uruguai.

Inclusive, posteriormente, será pela equipe da Mecânica Toni que o empresário correrá. A previsão é de que Barella tenha seu novo Fusca em mãos nas próximas semanas. Ademir afirma que ainda é cedo para dizer com precisão, mas estima que, quando o motor de alta performance estiver pronto, terá passado dos 46 cavalos originais para 250. A velocidade poderá chegar entre 230 e 240 km/h. E o mecânico reitera que, depois que o carro estiver pronto, será fundamental que o piloto – no caso, Barella – conheça bem seu veículo. “Vai ser necessário testá-lo bastante, e Barella precisará sentir o potencial e os limites do carro. O piloto é a peça-chave do veículo e precisa conhecê-lo bem”, enfatiza.