Com Gauchão suspenso, São Luiz teme pelo futuro financeiro

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Pedro Pittol, presidente do E.C. São Luiz: “Futebol tem de andar. Não é uma fábrica. É espetáculo, se não tem espetáculo, não tem torcedor, não tem renda, não tem como pagar funcionário, não tem como pagar jogador”. Foto: Lucas Dorneles/E.C. São Luiz

Com os campeonatos suspensos por tempo indeterminado, dirigentes de clubes do interior tem demonstrado preocupação com o futuro financeiro. Isso porque os pequenos têm contratos definidos pelo período do estadual, dependem da renda de jogos decisivos e sentem a diminuição da possibilidade de negócios com investidores. Um destes é o Esporte Clube São Luiz, de Ijuí.

Pedro Pittol, presidente do clube diz que o primeiro impacto é econômico. “Parar o Campeonato e manter os jogadores e funcionários, acarreta uma despesa muito grande. E como se vê, essa situação (do vírus) vai muito longe. Há pouco começou aqui no Brasil, pelo que se pode perceber vai muito longe”, defende.

Quanto aos jogadores, Pittol diz que alguns foram dispensados e outros liberados para ir para casa. Treinos não ocorrem desde meados de março. A folha de pagamento, porém, foi mantida. “Até esse mês sim, depois vamos ver como fazemos”, diz. “A cada dia tem uma nova informação, o que valia semana passada não vale nessa, o que vale hoje, amanhã talvez não vale mais. Então temos de aguardar. Estamos numa ânsia sem tamanho, mas o que vamos fazer? Nós queremos fazer o certo, mas como vamos fazer se não temos recurso?.”

Suspensão do gauchão
O Gauchão, que é uma das principais rendas para os clubes do interior, foi suspenso por 15 dias, inicialmente. Na semana passada, por tempo indeterminado. Para Pittol, a possibilidade de ele ter continuidade neste ano, é muito difícil. “Acredito que vai ser prolongado, empurrado com a barriga, só para ter gastos e dificilmente vai continuar porque o vírus começou ha pouco e acredito que vai crescer”, pondera.

Neste ponto, a manutenção da equipe, caso torneio seja adiado, pode ser impossível. “Manter os jogadores, sem jogo e sem treino, não é possível. Se não tem empresa que aguente, imagine o futebol, que vive da renda do torcedor. Não tem reserva, trabalhamos com a renda que vai entrando. O dinheiro do dia a dia, do mês”, avalia.

Perda de associados e patrocinadores
Outra situação que preocupa é a debandada de investidores e de associados, essenciais para a existência do clube. “Já começamos a perder torcedores e patrocinadores, são coisas que acontecem. Estamos tentando segurar ao máximo, mas isso são coisas que acontecem”, lamenta Pittol. “Futebol tem de andar. Não é uma fábrica. É espetáculo, se não tem espetáculo, não tem torcedor, não tem renda, não tem como pagar funcionário, não tem como pagar jogador.”

Futuro do São Luiz
“Só Deus sabe!”, diz. “Espero poder terminar um bom campeonato, de ficar bem, mas com esse vírus, vai ser difícil. Consequentemente os custos vão aumentando cada vez mais, aí dificulta. Não é só nós, outros clubes estão piores que nós, a dificuldade vai ser para todo mundo.”

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