‘Estamos trabalhando para que o Santo Ângelo não perca seu patrimônio’

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Presidente Ricardo Timm comenta alternativas quanto ao leilão de parte do estádio

Em entrevista ao Jornal das Missões, o presidente da SER Santo Ângelo, Ricardo Timm, esclarece a situação do Estádio da Zona Sul, que pode ter parte de seu espaço arrematado em leilão, e as alternativas e medidas que estão sendo tomadas pelo clube em relação a isso. A área de 2 020 metros quadrados, na esquina da Avenida Rio Grande do Sul com a Avenida Getúlio Vargas, que abrange edificação, parte da arquibancada e parte do campo de futebol será leiloada na próxima terça-feira (27) nas modalidades eletrônica e presencial. O espaço está avaliado em R$ 800 mil, sendo que o lance mínimo é de R$  400 mil com incremento de R$ 5 mil.

A área já foi a leilão no dia 1º de outubro e não foi arrematada. O leilão de parte do estádio que pertence à SER Santo Ângelo ocorre em decorrência de ação trabalhista demandada pelo zagueiro Rodrigo Ramos Silveira, que atuou no clube em 2006 e 2012. Conforme Timm, o Santo Ângelo precisa aguardar os acontecimentos “a área já foi a leilão e não foi arrematada. Se eventualmente alguém a arrematar, o Santo Ângelo entrará com pedido de impugnação de alguma forma. Já estamos tentando fazer isso, já questionamos várias situações e estamos nos preparando para fazer as defesas cabíveis”, destaca.

Até a tarde de ontem, o leilão do imóvel não tinha lances. Conforme o dirigente, “o clube irá fazer e utilizar todos os recursos possíveis pra tentar primeiro embargar esse leilão e se não conseguir, eventualmente, de maneira judicial, impedir o resgate desse bem por quem por acaso adquiri-lo”. Ele explica que quem arrematar a área terá direito a ela, mas que o processo de tomar posse do local é mais complicado. Existem pessoas que utilizam o espaço como parte de acordo na justiça e moram lá até que recebam os créditos que devem receber do Santo Ângelo. “Entendemos que na verdade ninguém irá adquirir o imóvel, primeiro porque faz parte de uma área comum, pois o estádio na verdade é uma área de uso público da comunidade de Santo Ângelo. Então aquela parte que pertence ao Santo Ângelo faz parte de um todo que é utilizado pela comunidade”, explica o presidente.

AÇÕES TRABALHISTAS
A questão trabalhista referente ao zagueiro Rodrigo Ramos chega em torno do valor de R$ 25 mil e conforme o presidente, o clube tentará um acordo com a parte autora para que eventualmente possa eliminar a questão do leilão. “Não tínhamos acesso a esta ação, ficamos sabendo dessa decisão agora, se nós tivéssemos acesso desta questão bem antes, lá nas audiências preliminares, nós teríamos tomado alguma atitude para não deixar chegar a esse ponto” afirma.

Segundo Ricardo Timm, desde que assumiu a presidência o clube fez vários acordos trabalhistas, sendo que em novembro do ano passado eram 39 causas e atualmente são 33. “Temos trabalhado para não deixar que o Santo Ângelo perca o seu único patrimônio e também para limpar o nome do clube dentro da medida do possível. Os credores têm sido bem acessíveis, no sentido de fazer estes acordos, o que leva muito para ser resolvido. Essas questões trabalhistas envolvem um valor de em torno de R$ 450 mil todas elas. Estamos tentando contornar as coisas da melhor maneira possível”.

O dirigente ressalta que o patrimônio da SER Santo Ângelo foi sendo dilapidado ao longo do tempo, sendo que o que resta no momento é um “pedaço” do estádio. Destaca ainda que espera que  os próximos presidentes continuem o trabalho que está sendo realizado no cenário dos acordos judiciais e que cumpram esses acordos, para que no futuro o clube esteja em condições nas questões trabalhistas.

PRESTAÇÃO DE CONTAS
No sábado  (17) ocorreu a prestação de contas do clube, no qual foram apresentadas os gastos e arrecadação da SER Santo Ângelo desde o início da gestão de Ricardo Timm. Conforme o presidente, existem dívidas que chegam ao valor de R$ 56 mil deste período que estão negociadas e com prazo de pagamentos estipulados que serão cumpridos, inclusive com jogadores. “Tem jogadores que estão sendo repatriados pelo Santo Ângelo e concomitantemente estão sendo acertadas essas dívidas. Se colocarmos na balança, o clube pagou muito mais de dívidas antigas do clube neste período, do que estes R$ 56 mil que estamos devendo”, destaca também que sobressaltos nos anos anteriores, quando oficial de justiça nos dias de jogos requisitava o valor da bilheteria não ocorreram este ano em função de que o clube realizou acordos na justiça e está os cumprindo.

A prestação de contas apresentada ao Conselho Fiscal mostra que o Santo Ângelo gastou R$ 486 mil até o momento e arrecadou somente R$ 392 mil, o restante foi oriundo de doações da própria diretoria, dos presidentes, vice-presidentes e conselheiros do clube, para cumprir com este valor.

Segundo Timm, a partir da reunião do sábado (17), foram tomadas decisões em termos de administração do clube que passam por sua situação financeira. A partir desse momento, haverá um contador dentro do Santo Ângelo, para que haja contabilidade transparente mensal. “Qualquer conselheiro tem a liberdade de pedir para olhar as contas do clube e saber como está sua situação”, destaca.

PREPARAÇÃO PARA O PRÓXIMO ANO
Com a comissão técnica montada, sob o comando do técnico César Augusto Pagliarini, o Zica, a SER Santo Ângelo está contratando e repatriando jogadores. O presidente Ricardo Timm anunciou os reforços do lateral direito Sassá, que vem do Goytacaz, do Rio de Janeiro, na lateral esquerda o nome é Leonardo Costa, além dos zagueiros Miranda e Saulo, que retornam ao clube após passagens pelo Santo Ângelo.

De acordo com o presidente, além destes nomes experientes, a equipe também irá integrar os jogadores da base para compor o grupo que disputará a Divisão de Acesso do próximo ano. “Estamos começando a buscar os recursos necessários para fazer este campeonato. Vamos contar com os recursos que vêm da federação, recursos de publicidade, como venda de espaços no estádio e nas camisetas. Já estamos encaminhando novo uniforme, que pode ser apresentado já novembro e encaminhando novos projetos com o poder público no sentido de ter auxílio para disputar a competição, dentro do que é possível, dentro da legalidade”.

Na avaliação do presidente, “em 2015 a SER Santo Ângelo fez um ano muito bom de futebol, mesmo sem recursos, na base do esforço da diretoria, dos conselheiros, dos empresários que ajudaram e da prefeitura. O clube tem um nome muito forte no futebol gaúcho e está entre os 32 principais times do Estado. O Santo Ângelo é reflexo do esforço da comunidade”.