Livro de Ouro revela doações para reconstrução do Estádio do Elite

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Material registra nomes que contribuíram para reconstrução após incêndio de 1958

 Documento histórico do Elite Clube Desportivo será doado ao Museu Municipal de Santo Ângelo. Trata-se do Livro de Ouro da Campanha Pró-reconstrução do pavilhão do Estádio Doutor João Augusto Rodrigues, destruído em incêndio no ano de 1958. O Livro Ouro, deixado por Nure Farah, foi doado por sua viúva Cirlei Farah e filhos ao empresário Valdir Pontel, chegando ao Jornal das Missões através de Antônio Evaldo Pontes.

Depois do incêndio da parte de madeira do estádio a diretoria do Elite tomou a iniciativa de arrecadar recursos para a sua reconstrução através deste Livro de Ouro. O documento conta com vários nomes que colaboraram em valores, na época cruzeiros, para a reconstrução do local. Entre eles, pessoas reconhecidas pela comunidade de Santo Ângelo como elitenses fanáticos, como Severino Verri, tio de Dunga, atual técnico da Seleção Brasileira, que naquela época auxiliou com 5 mil cruzeiros para a reconstrução do Estádio. Colaboram também: Armindo Birck, Eugênio Geiss (dirigente elitense), Henrique Fasolo, Virgílio Donadel, Armando Theiser e Francisco Juska. Empresas como João Basso e Cia Ltda, o Cortume Basso e a Joalheiria Feldmann, que não estão mais em funcionamento, também fizeram doações, assim como praticamente todas as agências bancárias.

Próspero Pippi, irmão do ex-prefeito de Santo Ângelo, Odão Felippe Pippi, é o primeiro nome a aparecer na lista de doações. Ele fez a abertura, doando na época 7 mil cruzeiros, o que atualmente equivale a aproximadamente dois salários mínimos. As contribuições variam de 7 mil cruzeiros, a mais expressiva, até 30 cruzeiros. Entre pessoas e entidades, constam no Livro cerca de 140 contribuições.

O documento contém ainda outros registros, como rifa realizada para arrecadar recursos para o Elite, com sorteio de um Fusca Volks 1974. Além disso, o Livro registra jogo realizado em 10 de março de 1974 contra o Tupi de Crissiumal, com o placar de 2 a 0 para o Elite. O documento mostra todas as despesas da época com arbitragem, pintura do gramado, seguro, fiscalização, porcentagem à Federação Gaúcha de Futebol, massagista, roupeiro e lavadeira. A renda do jogo foi de 1 966 cruzeiros, sendo que o total de despesas somou 1 876 cruzeiros, representando um lucro de apenas 90 cruzeiros.

O médico Rolando Stumpfle, que em 1962 atuou como médico do Elite Clube Desportivo e em 1963 sucedeu Ludovico Rigotti na presidência do clube, conta que o Estádio tinha capacidade para 500 pessoas e foi reconstruído em madeira. No local também eram realizadas lutas de box, com atuação do atleta Domingos de Oliveira Fortes, o “Tigre das Missões”. O espaço era utilizado ainda para shows e peças teatrais, onde se apresentavam as “Irmãs Lopes”.

A conquista mais expressiva do Elite foi no mesmo ano do incêndio. Em 1958, o Clube faturou o título do Campeonato Gaúcho da Segunda Divisão. Stumpfle revela detalhe importante sobre a conquista, “o time tinha apenas 11 jogadores e um massagista, sendo que este massagista também atuava como único reserva do time”. Na época, a equipe era comandada pelo técnico Percival Garcia de Oliveira. O Elite Clube Desportivo existiu até 1989, quando juntou-se ao Grêmio Sportivo Santo-angelense e Tamoio Futebol Clube para a fundação da Sociedade Esportiva e Recreativa (SER) Santo Ângelo.