Noite de clássico na Zona Sul

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Após dez anos, São Luiz e Santo Ângelo voltam a se enfrentar em uma partida oficial

Após 10 anos do último clássico San-São, pela Divisão de Acesso, Santo Ângelo e São Luiz voltam a se enfrentar às 20h de hoje (19), no Estádio da Zona Sul, em jogo válido pela quinta rodada da competição. O último clássico entre as duas equipes foi em 2005, quando o Santo Ângelo perdeu em casa por 2 a 1. Os dois times estão empatados na tabela de classificação com cinco pontos, porém, a equipe ijuiense está na frente devido ao saldo de gols.
Para o clássico, o técnico Zica Pagliarini tem duas dúvidas, já que o volante Baiano está lesionado e o lateral Tuta também apresenta uma lesão. No entanto, Zica destacou o crescimento da equipe nos últimos jogos, além da importância da vitória diante do torcedor.

“O Baiano é dúvida, provavelmente não vai para a partida. O Tuta também está machucado e, se não puder jogar, vai nos obrigar a mudar todo esquema de jogo para talvez jogar no 3-5-2”, afirma.
Apesar da confiança no time, o treinador mostra cautela. “Clássico é clássico, o São Luiz é um adversário tradicional e forte. Está empatado em pontos conosco e necessitamos vencer esta partida com o apoio de nosso torcedor, que sempre é fundamental. A equipe vem em uma crescente boa, fizemos bons jogos, só faltou o gol. Mas nos treinamentos trabalhamos bola parada e a finalização”, disse Zica.

Os ingressos antecipados estão sendo comercializados nos tradicionais pontos de venda ao valor de R$ 10 antecipados para arquibancadas e R$ 20 para cadeiras.

O próximo compromisso da equipe missioneira será na segunda-feira (23), às 20h, contra o Nova Prata no Estádio da Zona Sul.

AFASTAMENTO DO PRESIDENTE
Na última segunda-feira (16) foi revindicado pelos jogadores o recebimento de salários que estariam atrasados, com a ameaça de não participarem dos treinamentos e também de não jogar contra o São Luiz, de Ijuí.

Segundo o zagueiro Jezum, em entrevista ao repórter Irani Brum, durante o programa Rádio Visão da Super Rádio Santo Ângelo, não havia uma definição da direção nem um pronunciamento concreto em relação ao pagamento dos salários.

“A situação é essa, estamos desde dia 15 de janeiro só ouvindo promessa. Precisamos de alguma posição da diretoria. Temos família. Ninguém está aqui de favor, temos contas a pagar. Tem atletas que não têm cabeça nem para treinar, pois não aguentam mais ser enganados”, disse.

Ele relatou ainda que às vésperas de um clássico, deparar-se com esta situação, em que o clube não teria dinheiro para pagar, fez com que os jogadores decidissem não treinar ou jogar o clássico.
“Não podemos trabalhar de graça. Infelizmente, se o clube não tiver condições financeiras, tem que fechar as portas. Mas acredito que a comunidade de Santo Ângelo não vai deixar acabar com o futebol”, disse Jezum.

No final da manhã de segunda-feira, em reunião com os demais membros da diretoria, o presidente Ricardo Huberto Timm enviou um ofício ao Conselho Deliberativo do clube pedindo seu afastamento. Jorge Manoel Ribeiro, que vice-presidente, assumiu o cargo e Cláudio Sommavilla assumiu a vice-presidência.

Com o novo presidente ficou acordado que a renda do jogo desta quinta-feira (19), no clássico entre Santo Ângelo e São Luiz, e também do confronto da próxima segunda-feira (23), contra o Nova Prata, seja revertida no pagamento dos salários que estão, segundo Ribeiro, 40 dias atrasados.

JUSTIFICATIVA
Ricardo Huberto Timm destacou, em entrevista ao Jornal das Missões, que questões de saúde foram os principais fatores para seu afastamento da direção do clube. Timm ainda citou a falta de apoio e as dificuldades financeiras que o levaram a tomar a decisão.

“Eu não tenho mais condições de saúde, no momento, para estar envolvido no clube. Por isso pedi um afastamento, inclusive do meu trabalho. É muito complicado fazer futebol no interior, principalmente em Santo Ângelo, onde há pouca ajuda financeira”, afirma.

Ele frisa ainda que, ao contrário das alegações, apenas não foi pago o salário que venceu no dia 5 de março. “Mesmo assim não vejo aonde o clube pode conseguir mais patrocínio. Eu busquei auxílio das empresas, buscamos montar um ótimo time, com uma folha salarial baixa, mas infelizmente, sempre falta apoio” destaca.

Timm conta que foram feitos acordos para pagar as contas, pois o dinheiro que entrava das bilheterias não era suficiente, já que boa parte da renda era destinada ao pagamento de descontos e outros tributos.

“É complicado ver o clube nesta situação. Espero que com essa crise alguns empresários se disponham a ajudar o clube”, finaliza.