“Penso que já dei minha contribuição”, avalia o técnico Elton Petry

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Treinador do Santo Ângelo afirma que não deverá permanecer no comando da equipe

Curiosamente, o Cerâmica, primeiro adversário que o técnico Elton Petry teve pela frente nesta sua segunda passagem pelo Santo Ângelo, pode ter sido também o último. O treinador, 49 anos, natural de Tapera e cuja família reside em Não-Me-Toque, diz que não pretende permanecer.

“Ainda não tive uma reunião definitiva com a diretoria, mas penso que já dei minha contribuição. Juntos, diretoria, comissão técnica e jogadores, conseguimos nosso primeiro objetivo, que era afastar o time da zona de rebaixamento, e ainda nos classificamos com uma rodada de antecedência no 2º turno. Sei que há o interesse da diretoria de que eu continue, mas vamos conversar. A princípio, minha ideia é buscar novos ares, novos desafios”, explica o treinador, em entrevista ao JM.

Seu antecessor, Almir Fraga, treinou o Santo Ângelo até a 4ª rodada do 1º turno, obtendo uma vitória – na estreia, em casa, contra o Riograndense-SM, no dia 23 de fevereiro – e três derrotas, um aproveitamento de 25%. O gerente de futebol Eugênio Silva comandou o time interinamente na 5ª rodada, no empate por 1 a 1 contra o Marau, fora de casa.

SEIS VITÓRIAS EM 12 JOGOS

Petry, com passagem pelo Santo Ângelo em 2010, assumiu o comando técnico a partir da 6ª rodada. Na sua estreia, em casa, contra o mesmo Cerâmica que futuramente iria cruzar pelo caminho missioneiro mais uma vez e eliminar o Santo Ângelo, empate por 1 a 1. Em 12 jogos à frente da equipe, somando os dois turnos e as quartas de final do 2º, foram seis vitórias, três empates e três derrotas, um aproveitamento de 58,3%. O time somou 8 pontos em oito partidas no 1º turno e, com Petry à frente durante todo o 2º turno, foram 14 pontos em sete jogos, resultando na classificação em 3º lugar no Grupo A.

O treinador diz estar bastante decepcionado com o resultado de domingo em si, mas não com o trabalho realizado. Ele frisa que, caso deixe o clube, sairá da cidade feliz, de cabeça erguida e com sentimento de dever cumprido. “Apesar de o time não ter apresentado um grande futebol em determinadas partidas, os jogadores chegaram ao seu limite, principalmente físico. Todos sabiam da situação em que o time se encontrava, brigando a cada partida contra o rebaixamento, e os jogadores tiveram muita personalidade, muita coragem para ir buscar os resultados jogo a jogo. Foram jogadores que, dentro de suas limitações técnicas e até táticas, compraram uma ideia, a absorveram, e representaram o time com dignidade. Em termos de caráter, foi o melhor grupo com que trabalhei. Saio daqui feliz com o trabalho. Mas, por outro lado, muito triste e decepcionado com o resultado do jogo de domingo. Isso realmente não dá para engolir, não tem como explicar.”

DIREÇÃO, POR OUTRO LADO, QUER A PERMANÊNCIA DA COMISSÃO TÉCNICA

O diretor-executivo de futebol, Edson Machado, ressalta que a direção quer a continuidade do trabalho da comissão técnica liderada por Petry. Ele elogiou a campanha feita ao longo do semestre e classificou a derrota por 7 a 1 como “uma coisa atípica do futebol”. “No domingo, em função do resultado, não chegamos a conversar com o técnico sobre a permanência, mas temos grande interesse de permanecer com a comissão técnica. Infelizmente, aconteceu um resultado que ninguém esperava, mas a análise do trabalho é muito positiva”, afirma o dirigente.

Para ele, o time teve uma noite infeliz e cometeu erros coletivos em excesso. Machado lembrou a competitividade que a equipe apresentou ao longo do campeonato, principalmente no 2º turno. “O futebol não aceita erros coletivos e fomos punidos. Mas penso, particularmente, que não merecíamos isso, principalmente os atletas, por tudo o que fizeram e pela superação que tiveram em toda a competição. Eles demonstraram muito profissionalismo e uma hombridade muito grande, e isso precisa ser louvado”, conclui o executivo de futebol.