Projeto prevê retorno do Elite Clube Desportivo através de sociedade com SER Santo Ângelo

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Proposta de sociedade em cotas de participação entre os clubes foi previamente aprovada

A história do futebol santo-angelense ganhou um novo e marcante capítulo no final de semana, a partir de proposta que estabelece o retorno das atividades do Elite Clube Desportivo, reconhecido time de futebol de Santo Ângelo que teve as suas atividades encerradas por volta dos anos 1980. A proposta, que foi previamente aprovada em assembleia realizada no domingo (26) no Estádio da Zona Sul, prevê sociedade em cotas de participação entre Elite e SER Santo Ângelo.
A iniciativa está sendo encaminhada e redigida por membros dos dois clubes, com vistas para a exploração do futebol. Nesta sociedade em cotas de participação, o Elite atua como principal sócio (com 85%) e como responsável pela organização, negociações e administração de dívidas, por exemplo, e a SER Santo Ângelo, como sócio parceiro (com 15%), com a atribuição de questões relacionadas a infraestrutura.

GESTÃO
Conforme explica o empresário e advogado Luis Cláudio Steglich, proprietário da marca Elite, “a administração da SER Santo Ângelo, que é autônoma, se mantêm, com seus associados e estrutura, mas o Elite, em parceria com a SER, administraria não só o futebol profissional e as categorias de base dentro desses percentuais, mas também as vendas de produtos, ingressos, copa, transmissões e exploração imobiliária (nessa parte há uma proposta diferenciada de comissão, que seria meio a meio)”.
Com a retomada das atividades do Elite, em parceria com a SER Santo Ângelo, a previsão também é o fortalecimento das marcas de Grêmio Sportivo Santo-angelense e Tamoio Futebol Clube, que pertencem à empresa Elite. “A intenção é casar as marcas, fortalecê-las, criar de novo um contexto, principalmente familiar nos jogos, e viabilizar isso de forma não só esportiva, mas também quanto a gestão de marcas e política de marketing” afirma Steglich, destacando que o Elite já conta com um projeto bem consolidado e que a questão é estendê-lo e oportunizá-lo para o futebol profissional masculino.

DÍVIDAS
Quanto ao endividamento da SER Santo Ângelo, a ideia é criar uma gestão de negócios através de condomínio de credores. O empresário revela que realizou consultas na Receita Federal, no Ministério do Trabalho, Justiça do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e que a intenção é quitar as dívidas o mais breve possível, dentro das receitas estabelecidas em acordo na sociedade. “Não se pode assumir compromissos com a quitação de endividamentos sem oportunizar novos investimentos. Uma das bases do futebol e da empresa é não comprometer, mas sim, viabilizar a receita”.

PRÓXIMOS PASSOS
Alguns detalhes sobre a sociedade em cotas de participação ainda precisam ser definidas e após a definição do Conselho Deliberativo da SER Santo Ângelo sobre a autorização da proposta, o próximo passo será a realização de encaminhamentos junto à Federação Gaúcha de Futebol (FGF).
Reunião na Federação está previamente agendada para o dia 11 de julho, mesma data do congresso técnico sobre as copas do segundo semestre. “O mais importante é pensar o futebol e principalmente como será a sua gestão, leve o tempo que for. A participação nas copas do segundo semestre ainda será definida. A ideia já é entrar com marca e cores do Elite. Mas essa decisão cabe a este acordo”, explica Luis Cláudio Steglich.
Outros fatores também dependem da aprovação da sociedade em cotas de participação, como a comissão técnica do Clube. De acordo com o empresário, existe uma proposta encaminhada a ser confirmada nos próximos dias, conforme essa sociedade for estabelecida, que envolve treinador chileno.

SER SANTO ÂNGELO
Steglich destaca que a SER Santo Ângelo não será extinta, apenas não atuará mais na parte da administração do futebol. “Inclusive nos próprios uniformes do Elite, a marca da SER Santo Ângelo será utilizada, pois é a marca parceira nos empreendimentos. Grêmio e Tamoio também são marcas que podem ser ‘exploradas’ no bom sentido da palavra, buscando desenvolver cada vez mais, principalmente para que aqueles que foram gremistas e tamoienses, possam participar do processo. Ideia inclusive sugerida pelo empresário Neri Pippi, é de que o Estádio ganhe as bandeiras dos quatro clubes, uma sugestão que acho extremamente válida e correta”, ressalta.

HISTÓRIA NO FUTEBOL
Destaca-se que a marca Elite foi escolhida entre os três clubes através de pesquisa de campo realizada, no qual a comunidade elegeu o Elite com o percentual de 72,5%. Para o empresário, esta iniciativa representa a retomada da história do futebol em Santo Ângelo. “Nosso município tem uma história muito bonita no futebol, é uma cidade vidrada nessa modalidade, não só pelos clubes locais, o santo-angelense é envolvido, é fanático. Estamos retomando essa paixão, sabe-se que lidar com paixão é muito difícil. A intenção é mobilizar essa paixão, direcionar para um projeto correto, pois não adianta fazermos o mesmo projeto que existia sempre, de garimpar situações, pegando jogadores e empresários de fora, que não dão valor para a cidade, não dão valor para a cultura local. O projeto é uma iniciativa séria, empresarial, que vai envolver paixões, história do Clube e a mobilização de famílias da cidade. Acima de tudo, a intenção é criar um mecanismo que oportunize uma nova metodologia de futebol e gestão do futebol. Aí entra a sociedade em cotas de participação. Temos uma bela estrutura, pois o Estádio da Zona Sul é um excelente espaço e poucos no interior do Estado têm essa estrutura. Mas talvez, não estava direcionada da forma mais coerente”, afirma.

ORIGEM
O projeto do Elite é uma ideia do pai de Luis Cláudio Steglich, Luiz Alberto Steglich, que recuperou as marcas como uma forma de preservá-las quando estavam prestes a cair em domínio público e serem extintas. A partir das marcas foi estabelecida a ideia de construir um projeto, que, conforme, Luiz Cláudio, “ganhou força na goleada que o Brasil levou em cima da Alemanha, por 7 a 1, quando percebemos que infelizmente nosso futebol empobreceu e depois que o futebol do interior do país não foi mais valorizada, pois acaba muitas vezes se deixando levar por empresários que não têm interesse ou vínculos com a história dos clubes”, finaliza.