Apesar da chuva, milho pode ter perda de até 80% na produtividade

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“A chuva deste final de semana não irá recuperar o potencial produtivo perdido”, destaca o engenheiro agrônomo e chefe do Escritório Municipal da Emater, Álvaro Uggeri Rodrigues. Fotos: Hogue Dorneles/JM

O fim de semana foi marcado pelo retorno da chuva à região. Em Santo Ângelo foram 65 milímetros (média). Apesar da boa precipitação (e previsão de continuidade nos próximos dias, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet)), não foi o suficiente para recuperar o potencial hídrico dos rios e as lavouras de milho.

De acordo com o engenheiro agrônomo e chefe do Escritório Municipal da Emater, Álvaro Uggeri Rodrigues, a área cultivada com milho em Santo Ângelo é de 4,36 mil hectares (ha), destes 2,5 mil são lavouras de milho de sequeiro, 900 ha destinado à silagem, e 900 ha irrigado.

“No milho de sequeiro e no milho para silagem é onde já existem grande perdas, e também pode-se dizer que são irreversíveis. Isso quer dizer que a chuva deste final de semana não irá recuperar o potencial produtivo perdido”, detalha. Se comparado com a estimativa inicial, Rodrigues afirma que já existe uma estimativa de redução que chega a 80% produtividade.

A falta de chuva dos últimos dias não afetou somente o milho, hortifrútis e cadeia leiteira também sentiram os reflexos da estiagem. Ainda, a mais importante cultura do estado, a soja também pode ser prejudicada.

Muitos Produtores optaram por atrasar o plantio – que ocorre normalmente no início de novembro. “Havia uma preocupação em relação ao período de plantio, pois o Zoneamento Agroclimático permite a implantação da soja até 31 de dezembro. Com o retorno da umidade o plantio poderá avançar bastante dentro do período recomendado pelo Zoneamento”, explica.

Aos que semearam antes da chuva, o agrônomo destaca que houve um “ganho de tempo”, se comparado com quem esperou a chuva e agora ainda tem de esperar o solo absorver a umidade para entrar com as máquinas na lavoura. “Mas sempre é um risco, poderia não ter chovido, então quem não plantou estaria hoje mais tranquilo do que aqueles que confiaram na previsão do tempo.”

 

“A soja implantada no mês de novembro tem maior potencial de produção que a soja implantada no mês de dezembro, isso em uma hipótese de mesmas condições climáticas para ambas as situações. A realidade do município é que teremos soja implantada no mês do novembro e dezembro nesta safra, com um percentual importante do mês de dezembro, cerca de 50% da área. Em anos anteriores a maior parte do plantio foi realizado no mês de novembro porque as condições climáticas propiciaram tal condição.”
Álvaro Uggeri Rodrigues
engenheiro agrônomo e chefe
do Escritório Municipal da Emater

 

 

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