Artistas recorrem ao on-line para manter o espetáculo

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“Os eventos que acontecerem no pós-pandemia terão êxito porque as pessoas estarão carentes de cultura” - Rogério Velci Peppe, ator, diretor e dramaturgo. Foto: Arquivo pessoal

Santo Ângelo é reconhecida pela qualidade técnica de seus artistas. Tanto é que sedia grandes eventos como o Festival Internacional de Teatro e Festival de Dança, além de tantos outros eventos paralelos que ocorrem em ocasiões especiais, como Natal e Páscoa. Porém, neste momento em que se necessita de distanciamento social, músicos, dançarinos e dramaturgos tiveram de suspender suas atividades e se reguardar pela saúde.

A primeira reação, quando foi decretada pandemia, conforme Rogério Velci Peppe, ator, diretor e dramaturgo da Peppe Company e presidente da Associação Cultural e Artística Cidade dos Anjos (Acacia), foi de cumprir a quarentena. “Mas, ao mesmo tempo que se tem essa preocupação com saúde, tem a financeira que também nos judia, porque, eu, por exemplo, na primeira semana de março, vi todos os eventos agendados serem cancelados. Tínhamos a expectativa de fazer a melhor temporada de páscoa, que é m evento sazonal bem importante, mas não aconteceu. Todas as outras apresentações que tínhamos encomendadas, que foram canceladas, isso nos judia bastante”, detalha.

Jerson Fontana e Maristela Marasca, do grupo A Turma do Dionísio. Foto: Divulgação

A Turma do Dionísio, com 34 anos de trabalho, em 2020 teve de suspender todas as atividades públicas. “Em meados de março foi realizada a última apresentação deste período. As atividades agendadas para a segunda quinzena de março, bem como para os meses seguintes, foram, inicialmente, reagendadas para datas futuras e, no momento, estão praticamente todas suspensas, restando apenas algumas previstas para novembro e dezembro, para as quais ainda será avaliada a situação. Interrompemos também os ensaios de uma nova peça que estrearia neste mês de julho”, explicam Maristela Marasca e Jerson Fontana.

Grupo Meduzem recorreu as lives para manter as atividades. Foto: Arquivo pessoal Lucielly

Na dança, Lucielly Pires da Silva, diretora do Grupo de Dança Meduzem, diz que as atividades foram afetadas 100%. “Não estamos realizando aulas presenciais e isso diminuiu o número de alunos matriculados. Como a dança tem o toque e dançar de máscara se torna desconfortável não temos previsão de volta, isso é preocupante”, destaca.

Adequação a nova realidade

Uma alternativa encontrada por artistas foi recorrer ao on-line, com a criação de eventos virtuais. As lives são um exemplo na música. Opção também adotada pelo Grupo Meduzem: “tivemos que se reinventar em todos os sentidos, aumentamos a comunidade via WhatsApp e estamos realizando aulas on-line via live em um Instagram privado. Por lá vamos tendo contato e troca com os alunos. Nesse perfil também postamos vídeos tutoriais no feed para que o aluno faça a aula no seu tempo”explica Lucielly.

Outra ideia é deixando material preparado para o pós-pandemia, como projeta Peppe. “Acredito que vai ter um consumo muito grande por material artístico no pós-pandemia”.

Maristela e Jerson tentam manter a regularidade nas atividades cotidianas, apesar dos cuidados redobrados, como uma forma de preservar a integridade da saúde física e mental. Além de investir nas redes sociais, têm elaborado projetos ara participar de editais públicos que viabilizam a manutenção do setor artístico-cultural e rearticulando para encontrar novas maneiras de viabilizar a continuidade do Grupo. “Estamos projetando formas de adaptar os espetáculos para uma nova realidade, que considera a presença do vírus por um bom tempo ainda na sociedade. O planejamento interno e a interação virtual com outros artistas nos permitem compreender melhor a situação do setor cultural no país e no mundo.”

Pós-pandemia

É difícil imaginar um pós, quando sequer se sabe quando isso pode ocorrer. Para Maristela e Jerson esse momento pode acontecer de duas maneiras: um em que se reduz a capacidade de público e outro quando houver vacina para a Covid. “Ainda não sabemos exatamente o que e como poderemos fazer neste período intermediário. Estamos tentando compreender melhor a situação, para passarmos da fase em que estamos – na qual praticamente nada pode ser feito – para uma nova fase, a ‘normalidade do futuro’. Cada opção precisa levar em consideração, por exemplo, a linguagem dos espetáculos, pois nem todos podem se adequar a espaços abertos. No momento estamos avaliando possibilidades.”

Lucielly diz que grupo está ansioso por este momento, porém, quando acontecer, cuidado terá de ser redobrado.“Teremos que retornar com uso de máscara e a sala de aula equipada com álcool em gel e marcação de distanciamento. Sem previsão, mas espero que seja ainda este ano”, diz.

 

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