Câncer de pele não melanoma é o tipo que terá maior incidência no Brasil até 2022

0
582
País terá 625 mil novos casos de câncer por ano, diz Instituto Nacional de Câncer (Inca). Para a população infanto-juvenil são esperados mais de 8 mil casos. reprodução

O Brasil deve registrar cerca de 625 mil novos casos de câncer por ano de 2020 a 2022. A estimativa foi divulgada nesta semana pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). Somente entre a população infanto-juvenil são esperados 8.460 novos casos por ano no mesmo período.

TIPO COM MAIOR INCIDÊNCIA
A publicação Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil mostra que o câncer de pele não melanoma deve permanecer como o mais incidente, com a expectativa de 177 mil novos casos por ano. Em seguida, está com o câncer de mama próstata, com 66 mil casos cada; cólon e reto, com 41 mil casos; traqueia, brônquio e pulmão, com 30 mil; e, estômago, com 21 mil.

De acordo com Inca, o Brasil apresenta um declínio dos tipos de câncer associados a condições socioeconômicas desfavoráveis. Em algumas regiões, no entanto, as ocorrências persistem. É o caso do câncer de colo de útero, na Região Norte. Enquanto no Brasil esse tipo de doença está em terceiro lugar, na incidência entre mulheres, desconsiderando o câncer de pele não melanoma, no Norte é o segundo mais incidente, atrás apenas do câncer de mama.

CASOS DE CÂNCER QUE PODERIAM SER EVITADOS
Um a cada três casos de câncer poderiam, segundo o Inca, ser evitados pela redução ou eliminação de fatores de risco, como, por exemplo, tabagismo e obesidade. Atividades físicas, cuidados com a exposição ao sol e alimentação saudável com frutas, vegetais e hortaliças frescos, evitando alimentos ultraprocessados, também podem ajudar a evitar o câncer.

Aumento da estimativa
A estimativa para o próximo triênio aumentou em relação à última projeção, quando 600 mil novos casos eram esperados por ano em 2018 e 2019.

A primeira publicação é feita para o triênio. Antes, a projeção era calculada a cada dois anos.A mudança ocorreu devido à disponibilidade de informações, mais confiáveis.

O instituto também calculou a incidência da doença para a população infanto-juvenil. Segundo o instituto, ar maior incidência pode ocorrer entre meninos, com 4.310 novos casos por ano. Entre meninas, devem ser registrados 4.150 novos casos. A incidência deverá ser maior na Região Sul, seguida pelas regiões Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte.

De acordo com o Inca, o recorte para a população mais jovem permite aprimorar as ações de saúde pública e controle da doença neste público. Se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados, 80% das crianças e adolescentes podem ser curados.

Dermatologista diz que população da região é mais vulnerável ao câncer de pele

Médica dermatologista Lislaine Bomm. Foto: Daniele Angnes/JM

A médica dermatologista Lislaine Bomm (consultório na rua Marquês do Herval, 1145, Centro), afirma que a população que reside na região Missões e Noroeste é mais vulnerável a desenvolver o câncer de pele. Confira a entrevista ao Jornal das Missões.

JM – O que é câncer de pele não melanoma ?
Lislaine Bomm – O câncer de pele não melanoma é um aumento desordenado de células cutâneas (epiderme) anormais. Ele pode ser de vários tipos. Os mais comuns são o carcinoma basocelular e carcinoma epidermoide ou espinocelular. Estes possuem incidência mais alta, porém menor gravidade quando comparados com o melanoma (originados do crescimento anormal e irregular dos melanócitos), que apesar de menos frequentes, são os de maior gravidade.

JM – Qual a incidência dos casos de câncer de pele aqui na região?
Lislaine Bomm – A incidência da região segue as estatísticas nacionais, sendo mais comum o carcinoma basocelular (menos agressivo porem mais frequente), sendo maior a frequência em homens de faixa etária bem ampla – dos 30 a 60 anos a maior incidência.

JM – As pessoas de origem alemã, italiana e polonesa ( Geralmente de pele branca), são mais vulneráveis a este tipo de câncer?
Lislaine Bomm – Sim, pois essa população (que é a predominante em nossa região), possui os fatores de risco para desenvolver o câncer de pele, que são eles:
Constitucional: O câncer de pele é mais comum em pessoas de pele, cabelos e olhos claros.
Genética: Ter um histórico familiar de câncer de pele aumenta o risco de ocorrência, principalmente no caso de melanoma.
Ambiental: Exposição solar e queimadura do sol , ou seja, dano do sol acumulado ao longo da vida. A maior parte dos câncer de pele ocorrem em áreas da pele que estão regularmente expostas à luz solar ou à outra radiação ultravioleta.

JM – Como as pessoas podem prevenir o câncer de pele?
Lislaine Bomm – Evitando a exposição prolongada ao sol, principalmente das 10h as 16h.
Usar proteção adequada como chapéus de aba larga, óculos escuros e filtro solar ( FPS 30 ou mais) Aplicar filtro solar apenas uma vez ao dia não é suficiente. É necessário reaplica-lo a cada duas horas, principalmente durante exposição solar. Outro ponto a se destacar na prevenção, é o auto-exame da pele, procurando por sinais ou manchas que mudaram de cor ou de tamanho, manchas que coçam ou sangram , e feridas que não cicatrizam em 4 semanas. A qualquer lesão suspeita procurar um médico dermatologista.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here